Neco Varella/EFE
Neco Varella/EFE

Em 2012, futebol do Brasil importa mais que exporta

Entre janeiro e junho, 230 jogadores do País se transferiram para fora, enquanto 478 chegaram de clubes estrangeiros

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE , O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2012 | 03h06

GENEBRA - Depois de ser por décadas o maior exportador de jogadores do mundo, o Brasil vive uma transformação. Dados oficiais da Fifa revelados ao Estado com exclusividade apontam que, em pelo menos na primeira metade de 2012, o mercado brasileiro se transformou no maior "importador" de jogadores do mundo, ainda que muitos sejam brasileiros optando por retornar para clubes nacionais.

Entre janeiro e junho, 230 jogadores brasileiros se transferiram para clubes em todo o mundo. Mas, no mesmo período, 478 atletas foram negociados por clubes estrangeiros com os do Brasil, mais do que o dobro. Muitos deles são brasileiros, optando por retornar ao mercado nacional, seja por falta de opções no exterior ou por conta de ofertas de salários altos no Brasil.

A tendência não é nova. Mas ganhou um forte incentivo neste ano. Dados coletados pelas federações estaduais no Brasil mostravam que, já em 2011, apenas 23 jogadores da Primeira Divisão deixaram o País em direção à Europa. Em 2008, foram 65 jogadores. Entre 2010 e 2011, mais de 120 também retornaram ao País.

Os números oficiais colocam o Brasil na liderança entre os países com maior número de transferências de jogadores registrados pela Fifa. Desde o ano passado, a entidade máxima do futebol conta com um sistema informatizado, em que todas as federações são obrigadas a registrar compras e vendas de atletas. O objetivo é transformar o mercado de transferências em um setor mais transparente.

Com 708 jogadores profissionais trocando de clubes apenas no primeiro semestre do ano, o Brasil tem um número quase três vezes maior que o de Argentina, Portugal ou Espanha.

A Fifa ainda não revela os valores envolvidos nas transferências brasileiras. Mas os dados apontam que o volume geral de dinheiro envolvido na venda e compra de jogadores pelo mundo em 2012 despencou em 34% no primeiro semestre do ano, em grande parte por causa da crise na Europa.

Espanha, Itália, Portugal e Grécia são apenas algumas das economias que estão em recessão. A crise, portanto, não tem poupado os clubes que, por anos, pediram dinheiro emprestado de bancos para pagar por suas estrelas em parcelas. Foi assim, por exemplo, que Kaká e Cristiano Ronaldo foram para o Real Madrid. Hoje, esses bancos admitem que não sabem nem mesmo qual o tamanho do buraco em suas próprias contas. Conseguir empréstimos, portanto, não tem sido fácil.

O número de contratos de jogadores também caiu, em 9%. O primeiro semestre terminou com 4,9 mil transferências, envolvendo US$ 576 milhões (R$ 1,1 bilhão). Os valores não incluem transferências domésticas e apenas registra a venda de jogadores para o exterior.

Além da crise, outro fator que começa a pesar na decisão de clubes é a regra imposta pela Uefa de garantir um equilíbrio nas contas dos clubes. Times que não apresentarem balanças de pagamentos em dia são punidos e até suspensos de campeonatos. A Uefa tomou a medida depois que descobriu que 52% dos clubes europeus tinham dívidas. Vinte por cento deles estavam em situação crítica.

Na prática, a lei estipula que clubes apenas podem gastar o que sabem que podem arrecadar. Empréstimos de bancos ou injeção de dinheiro de magnatas russos ou árabes não poderiam ser contabilizados. Na janela de transferência de janeiro, quando há um forte fluxo de jogadores sul-americanos para a Europa, a migração foi abaixo da tendência dos últimos anos.

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