'Em 2014 seremos favoritos, hoje não'

Felipão assume o comando do time e, ao lado de Parreira, garante que no momento o Brasil não é candidato ao título, mas tem a obrigação de levar a Copa

SÍLVIO BARSETTI , TIAGO ROGERO , RIO, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h55

Nem as gafes e o discurso ufanista do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, ofuscaram a apresentação do novo técnico da seleção, Luiz Felipe Scolari, e do coordenador Carlos Alberto Parreira, num hotel da zona do sul do Rio, para onde seguiram também vários jornalistas estrangeiros. O dirigente errou duas vezes a pronúncia do nome de Parreira e aplaudiu a ênfase com que a dupla contratada prometeu a conquista da Copa do Mundo de 2014.

Descontraído, Felipão afirmou que o Brasil tem a obrigação de vencer o Mundial. "Jogamos em casa, não somos favoritos no momento, mas pretendemos nos tornar durante a competição", disse, após se declarar mais motivado e jovem do que há 11 anos, quando assumiu a seleção pela primeira vez, conseguiu reabilitar um time desacreditado e ganhou o pentacampeonato em 2002, na Ásia.

O técnico pretende inicialmente manter a base deixada por Mano Menezes. Vai promover mudanças gradativamente. Sua reestreia tem data e adversário marcados: dia 6 de fevereiro, contra Inglaterra, em Wembley.

Ele já definiu pelo menos mais dois integrantes da comissão técnica: o auxiliar Flávio Murtosa e o preparador físico Paulo Paixão. Também deixou claro que vai trabalhar com a psicóloga Regina Brandão. Os três estiveram na campanha do Mundial. É bem provável que Felipão reivindique à CBF a volta da equipe médica chefiada por José Luiz Runco - demitido na semana passada com toda a comissão de Mano.

Felipão ressaltou que não se sente pressionado no cargo, ao contrário de sua primeira passagem pela seleção. Ao falar sobre "pressão", causou um mal-estar com bancários de todo o País (leia mais na pág. 2). Ele refutou a ideia de decadência e minimizou o pequeno número de títulos que obteve desde 2002.

Tratado pelo presidente da CBF como Carlos Alberto Parreiras, depois Antonio Carlos Parreira, o coordenador admitiu que o Brasil hoje não estaria entre os mais cotados para levantar a taça em 2014. No entanto, apostou numa evolução rápida. "Em um ano e meio, com certeza, seremos favoritos."

Marin destacou as mensagens de apoio recebidas por ele pela indicação de Felipão e Parreira. "Saí de São Paulo com centenas de telegramas em minha casa." Ao final, foi lembrado pelo assessor de imprensa, Rodrigo Paiva, de que deveria fazer um agradecimento especial a Mano e Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF que pediu demissão na quarta-feira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.