Alexandre Urch/MPIX/CPB
Alexandre Urch/MPIX/CPB

Promessa da natação paralímpica, Gabriel Souza se vê a caminho do pódio

Nadador da classe S8 registra melhor tempo da carreira nos 50 m livre

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2017 | 07h01

A felicidade de se classificar para o primeiro Mundial da carreira foi tamanha que Gabriel Souza sentou na raia da piscina do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, antes da final multiclasse dos 50 metros livre chegar ao fim. A bronca dos colegas impediu que o atleta de 22 anos acabasse com o sonho antes de ele começar. "A emoção tomou conta, não prestei atenção que tinha um adversário do meu lado competindo e extravasei", conta.

Fora da briga por medalha nos Jogos Paralímpicos do Rio, o nadador da classe S8 registrou o melhor tempo da sua carreira no Open e cravou o novo recorde das Américas (27s06) na prova mais rápida da natação. O resultado obtido no último fim de semana é um indicativo de sua rápida evolução desde que passou a treinar na capital paulita em fevereiro e coloca o atleta na trilha das medalhas.

Deixou a vida próxima à família no Guarujá em busca de um sonho, que teve início aos 16 anos. Antes de ser encaminhado para a natação, conheceu o esporte paralímpico por meio do surfe adaptado, sob a orientação de Alcino Neto, o Pirata. "Comecei no surfe adaptado com 11, 12 anos. O Pirata ensinava as crianças a ficarem em pé na prancha, me acolheu na escolinha e me estimulou muito", exalta. 

O esporte ajudou Gabriel a se reabilitar do acidente sofrido em 2004. Aos 9 anos, costumava brincar de se pendurar no trem em movimento na comunidade Prainha. O local próximo ao trilho era usado como descarte de entulho pela população e, certo dia, uma árvore foi colocada no meio do caminho. 

"Como estava de frente para o vagão, não vi a árvore e bati a cabeça. Apaguei com minha queda no chão, meu braço (esquerdo) ficou estendido na linha do trem e foi decepado na hora", relembra o nadador, que tem uma cicatriz no rosto até hoje. 

Gabriel foi levado ao hospital mais próximo, que não tinha recursos para fazer o procedimento cirúrgico. Dessa forma, acabou encaminhado de ambulância até Cubatão e transportado de helicóptero até o Hospital das Clínicas, em São Paulo. Foram 12 horas de cirurgia e apreensão. A mãe, que havia saído de casa para o primeiro dia de trabalho, recebeu a notícia pelas palavras do tio do garoto.

"Nas primeiras semanas, pensava se as pessoas iam me rejeitar quando chegasse na escola, se iam zombar de mim. Mas a primeira vez que cheguei na escola, o pessoal fez um círculo e me abraçou. Lembro aquele momento como se fosse hoje", recorda. Em ascensão na carreira, festeja a volta por cima: "De lá para cá, só vitória".

 

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