Felipe Puerta / Divulgação
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Em boa fase, skatista Rony Gomes mira X-Games em 2019 e Olimpíada em 2020

Brasileiro treina duas manobras novas para tentar o ouro na China e sonha com uma vaga nos Jogos de Tóquio

Luis Filipe Santos, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2019 | 04h30

O skatista Rony Gomes se prepara para os X-Games da China. Em boa fase, o brasileiro especializado na modalidade Vert tem como objetivo conquistar o ouro no torneio, que será disputado entre 29 de maio e 2 de junho – ele ficou com a prata ano passado, na Austrália. Gomes já foi campeão mundial, em 2013 e, neste ano, tem um ouro no Le Grand Air, competição realizada na França, e uma prata no Vert Attack, torneio disputado na Suécia.

Para triunfar nos X-Games, Gomes vem treinando muito fisicamente. “Viajei duas vezes aos Estados Unidos para treinar na megarrampa, e tenho buscado muito a resistência física. É uma prova que exige muito e se não estiver bem fisicamente, é fácil machucar”, afirma, ressaltando que espera um grande evento em solo chinês.

Além disso, a chave para buscar o ouro é o que já lhe trouxe a prata em 2018: criatividade. “Na Austrália, eu já tinha feito um combo inédito, e acho que foi por isso que consegui uma nota alta. Agora, estou trabalhando em duas novas manobras, que são agressivas mas também muito técnicas, e por isso eu tenho confiança que vou ir bem e conseguir medalha”, afirma Gomes.

Rony também espera que o foco aplicado nos treinos o ajude nas próximas competições. “Nos dois eventos desse ano participaram atletas com potenciais de todos os lugares do mundo. Volto com bons resultados da Suécia e da França e bem mais confiante para o próximo evento. Eu estou pronto para fazer o meu trabalho na China”, diz o skatista brasileiro.

Olimpíada

Em 2020, os Jogos Olímpicos de Tóquio serão os primeiros a contarem com o skate em seu programa – nas modalidades Park e Street. Como o Vert não está incluído na disputa, Rony pensa em buscar uma vaga pelo Park. “Não sou tão bom quanto a galera que é focada nessa modalidade, mas vou tentar para realizar um sonho. Se o Vert estivesse, seria meu foco”, conta.

Entretanto, mesmo que não consiga a vaga, o skate ainda pode lhe trazer alegrias de Tóquio. “Se o Park e o Street tiverem um bom resultado nos jogos, trouxerem a audiência que o COI quer, pode ser que eles incluam mais modalidades nas próximas, e aí o Vert entra. Então, eu poderia competir em Paris (sede em 2024) ou em Los Angeles (sede em 2028). O Vert é de acesso difícil, mas permite uma longevidade maior no esporte”, diz Rony, mantendo a fé.

Nova geração

Rony tem 28 anos e, como ele próprio disse, ainda pode ter bastante tempo no esporte. No entanto, já projeta ajudar novos praticantes. “Se não for competindo, me vejo ajudando na estrutura do skate. Eu fiquei em cima da prefeitura de São Paulo para que uma pista na Mooca fosse aberta para a garotada praticar. Também planejo fazer um convênio com um instituto que ajuda novos skatistas para que eles possam usar minha própria pista, em Atibaia”, conta.

Outro aspecto no qual Gomes acredita que pode fazer uma diferença é ajudando os jovens a lidar com a carreira no esporte. “Vejo um pessoal que não sabe se relacionar com os patrocinadores. Quero ajudar com essa experiência também, já que consegui uma boa relação com os meus, ajudando a organizar eventos”, relata.

Contudo, Gomes ainda vê que há espaço para uma melhora na estrutura do esporte no País, em especial da sua modalidade. “Falta ter uma megarrampa aqui. Sei que é uma estrutura cara, mas ajudaria demais”, diz.

Ainda assim, segundo o atleta, o skate vive um bom momento após Bob Burnquist assumir a presidência da Confederação Brasileira de Skate (CBSk), no final de 2017. “O Bob veio com uma nova força, ajudou a fazer eventos mais organizados, e lógico que estar na Olimpíada ajuda também”, opina.

Com isso, Gomes aposta no crescimento do skate. E, para ele, o quanto mais puder ajudar dentro e fora das pistas, melhor.

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