Em Brasília, Big Brother fiscaliza a construção

Na briga para receber a abertura, comitê local põe câmera no Estádio Mané Garrincha para sair à frente dos rivais

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Envolvido num Fla-Flu jurídico, o Estádio Nacional de Brasília começa a ganhar forma no canteiro de obras. Se de fora não se vê muita coisa, do outro lado dos tapumes cerca de 600 pessoas trabalham no amontoado de poeira, terra, cimento e escavadeiras para erguer a arena de R$ 671 milhões. Até a semana passada, a obra estava com 65% do trabalho de escavação realizado e 28% do volume de concreto executado. De uma forma geral, 10% do novo estádio estão prontos.

Além da disputa com Salvador, Belo Horizonte e São Paulo pelo jogo de abertura, os candangos têm outro duelo: no ano passado, o Tribunal de Contas do Distrito Federal suspendeu a licitação e agora o Ministério Público critica os valores do contrato e questiona a garantia de financiamento, cobrando explicações das autoridades locais. "Encaro isso com total naturalidade. A crítica é salutar e as pessoas têm o direito de se manifestar", diz o secretário executivo do comitê local, Cláudio Monteiro. "Sempre teremos uma relação de entendimento e transparência." Para dissipar as desconfianças, uma espécie de "Big Brother Copa" será lançado até o fim do mês: da internet, será possível acompanhar imagens em tempo real das obras e se informar sobre o cumprimento do cronograma. Mais conhecido como Mané Garrincha, o estádio estará concluído até 31 de dezembro de 2012, a tempo de receber jogos da Copa das Confederações, garante Monteiro.

Abertura. Brasília possui pelo menos três vantagens que a credenciam para receber a abertura do Mundial, avaliam os organizadores: a localização da arena, no centro da cidade; a rede hoteleira, uma das maiores do País e concentrada nas proximidades do Mané Garrincha (como a distância será pequena, muitos turistas poderão ir a pé); o simbolismo de ser a capital dos brasileiros e reunir todos os sotaques.

Na avaliação do secretário executivo, os contratempos em torno da obra do Itaquerão, em São Paulo, não aumentam as chances de os brasilienses faturarem a abertura. "Brasília torce para São Paulo superar suas dificuldades, colaborando para a organização da Copa." A cidade também luta para ficar com o centro de mídia, que deve abrigar os 20 mil jornalistas.

Monteiro rechaça as críticas de quem vê no estádio um "elefante branco" em potencial (nenhum time do DF está na Série A do Brasileiro). "Tentar antever o futuro sem elementos concretos é premonição. O estádio será um legado", diz. "Brasília tem o direito de possuir um estádio à altura da sua condição de capital do Brasil."

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