Em busca da paz, São Paulo tem de vencer no Sul

Depois de duas péssimas atuações sob o comando de Ney Franco, time está obrigado a obter a vitória diante do Figueirense

FERNANDO FARO, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2012 | 03h05

Foram duas partidas, um ponto conquistado, uma péssima impressão deixada e muitas críticas da torcida. A melancólica exibição na derrota para o Vasco em casa na quarta-feira faz o São Paulo precisar de uma reação imediata para mostrar à torcida que o time tem condições de se manter entre os primeiros colocados e brigar pelo menos por uma vaga na Libertadores. Por isso, vencer o Figueirense hoje no Orlando Scarpelli deixou de ser apenas um passo importante e, ao menos na visão da torcida, passa a ser obrigação para dar paz a jogadores e técnico pelos próximos dias.

Deixar o Morumbi para atuar fora de casa após um tropeço pode ser a melhor coisa para o elenco no momento. A equipe deixou o estádio no meio da semana sob fortes vaias e xingamentos e voltou a sentir a pressão pela ausência de títulos nos últimos anos. Principal nome da equipe, Luis Fabiano mais uma vez entrou em rota de colisão com as organizadas e voltou a falar em "repensar o futuro''. Da última vez que enfrentou situação parecida no campeonato, logo após a queda na Copa do Brasil e a derrota para a Portuguesa (que resultaram na queda de Leão) conseguiu bater o então líder Cruzeiro e se recuperar.

Mais do que a mudança de sistema tático, Ney Franco cobra uma nova atitude de seus jogadores e exige uma equipe mais aguerrida em campo, após dois jogos abaixo da crítica. Ele endureceu o discurso na última semana e disse que o time precisa ter mais alma e entrega para conseguir sair do momento ruim; na sua avaliação, os jogadores estão acomodados e sem fibra. "Não vejo muitos problemas a serem resolvidos, o que precisamos é acertar as questões de jogo. Precisamos de mais comprometimento para sermos uma equipe mais aguerrida e de mais alma dentro de campo", cobrou.

O técnico esperava que a sequência de jogos fosse moldar rapidamente a equipe à sua maneira, mas as apresentações ruins o fizeram alterar o esquema tático e retornar à formação com três zagueiros utilizada pelo então interino Milton Cruz nos dois jogos em que esteve à frente do time, justamente quando o Tricolor exibiu o futebol mais consistente. Dessa forma, a equipe terá alterações em todos os setores.

Defesa mais forte. Como Cortez e Douglas são frágeis na marcação e existem poucos jogadores com características de combate no meio, a solução momentânea será povoar a defesa e dar mais liberdade para os laterais atacarem e sofrerem menos na cobertura. "Tanto com três zagueiros ou dois, se conversarmos e orientarmos a equipe, não sobrará espaço. Essa opção é do Ney Franco e estamos preparados'', afirmou Rafael Toloi. João Filipe, já utilizado no tropeço diante do Vasco, ganhou a disputa com Paulo Miranda e Edson Silva e completa o setor.

No meio, Maicon ganhou a posição do jovem João Schmidt e terá ao seu lado Denilson, que volta após cumprir suspensão no meio de semana. O ataque é outro ponto que preocupa bastante. Osvaldo, titular na ausência de Lucas, está machucado e sem previsão de retorno. Luis Fabiano, com dores na coxa esquerda, também fica fora do jogo de hoje. Como Fernandinho está praticamente vendido para o Al-Jazira e não joga pelo clube, Ademilson forma a dupla de ataque com Willian José.

Ney Franco quer ver uma equipe com mais fome de vitórias e firme e aplicada na marcação. Se conseguir alcançar o objetivo, deve enfim ter um pouco de tranquilidade para trabalhar.

Reforço. O São Paulo confirmou ontem a contratação do volante Paulo Assunção, que estava no Atlético de Madrid havia quatro temporadas. O jogador de 32 anos assinou por um ano.

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