Em campo, 100 anos de emoção e rivalidade

Grêmio e Inter jogam pela 377.ª vez, 1 século depois do 1.º clássico,

Bruno Deiro e Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

19 de julho de 2009 | 00h00

Eternos opostos, Grêmio e Internacional estão ligados desde a origem dos clubes. Da rivalidade com o azul nasceu o vermelho no futebol gaúcho. Há 100 anos, no dia 18 de julho de 1909, duelaram pela primeira vez: 10 a 0 para o tricolor, ante um colorado ainda em formação. Nascia o Gre-Nal, um dos clássicos mais acirrados do Brasil, que terá o seu 377.º capítulo hoje, às 16 horas, no Estádio Olímpico.Em abril de 1909, descendentes de italianos fundaram o Inter, em Porto Alegre, para desafiar o Grêmio, de alemães, que havia lhes negado a associação. O folclore do duelo é tão rico quanto o histórico de títulos das duas agremiações. Na semana que antecede o Gre-Nal, o estado ganha um clima especial. Independentemente de quem estiver melhor no momento, a certeza é uma só: muita batalha dentro de campo e poucos gols são a marca do confronto. O primeiro clássico inesquecível ocorreu em 22 de setembro de 1935, dois dias após o centenário do início da Guerra dos Farrapos. A final do Campeonato Citadino foi decidida aos 38 do 2º tempo com um gol do ídolo gremista Foguinho. O clássico, conhecido como "Gre-Nal Farroupilha", marcou a despedida do goleiro gremista Lara, imortalizado no hino do clube. O tricolor dominou os confrontos até setembro de 1945, quando surgiu o "Rolo Compressor" colorado. Primeira equipe marcante na história da metade vermelha do estado, chegou a aplicar uma goleada por 7 a 0 no Grêmio em 1948 e reverteu a desvantagem. Desde então, o Inter leva vantagem nas estatísticas: 141 vitórias contra 118 do arquirrival. A rivalidade no Campeonato Gaúcho nas décadas de 50 e 60 teve certo equilíbrio. O Gre-Nal do primeiro Campeonato Brasileiro, em 1971, porém, foi uma prévia do que estava por vir. Com vitória do Inter, por 1 a 0, marcou o início de uma década que o torcedor do Grêmio quer esquecer. Tricampeão brasileiro e octocampeão gaúcho, o colorado se tornou uma potência, liderada por ídolos como Falcão, Carpegiani e Figueroa. O tricolor só conseguiria dar o troco na década de 80, com as conquistas da Libertadores e do Mundial, além de um Brasileiro. No início dos anos 90, o Grêmio sofreu um duro golpe. Teve de disputar a Série B em 1992, mesmo ano em que os rivais levaram a Copa do Brasil. Ganhou mais força o mito da gangorra entre os clubes - muitos acreditam que, quando um vai bem, o outro acaba em baixa. Coincidência ou não, quando o tricolor voltou forte, na "era Felipão", o Inter viveu um longo período de vacas magras.Em 1997, outro Gre-Nal ficou marcado. Uma vitória por 5 a 2, em pleno Olímpico, trouxe de volta o orgulho vermelho. Em 2006, os troféus da Libertadores e do Mundial lavaram a alma colorada.Em situação de equilíbrio após as respectivas eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil, Grêmio e Inter se reencontram hoje. Após 100 anos, os dois lados sabem que o Gre-Nal vale muito mais que os três pontos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.