André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Em CPI, ex-técnico da ginástica nega ter abusado de atletas

Fernando de Carvalho Lopes afirma que sua postura rígida nos treinos pode ter motivado vingança de alguns ginastas

Neila Almeida, especial para O Estado de S. Paulo

16 Maio 2018 | 18h03

O ex-técnico da seleção brasileira de ginástica, Fernando de Carvalho Lopes, negou nesta quarta-feira, 16, em depoimento no Senado, ter abusado de atletas. Em audiência na CPI dos Maus Tratos, ele atribuiu as denúncias à vingança por sua rígida postura nos treinamentos.

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Ao todo, 40 ginastas e ex-ginastas afirmaram que foram vítimas de abusos sexuais praticados por Fernando de Carvalho Lopes entre 1999 e 2016, quando ele era técnico do Mesc. O processo foi aberto em junho de 2016. Até agora, 23 pessoas já foram ouvidas na delegacia, entre vítimas e testemunhas.

“Nunca fui um técnico manso. Sempre fui extremamente rígido e por isso criei muitos inimigos. Cortei bolsas de atletas, demiti pessoas que não seguiam a minha linha de trabalho. Acredito que isso possa ser uma vingança” afirmou. Lopes negou também ter trocado e-mails ou mensagens de cunho pessoal com os atletas. 

Essa foi a primeira vez que o ex-técnico da seleção brasileira de ginástica falou abertamente sobre as acusações. A sessão da CPI foi fechada e comandada pelo presidente da comissão, o senador Magno Malta (PR-ES). Durante o depoimento, o parlamentar também pediu explicações sobre suspeitas de desvio de dinheiro do programa Bolsa Atleta. Fernando chegou a admitir que houve cortes para custear materiais de treinamento, mas que ele não tinha acesso ao dinheiro. 

O senador solicitou também a quebra do sigilo de telemático (e-mail), telefônico e fiscal de Fernando. “Não tenho nada a esconder, se for possível essa averiguação, pode ser feita”, disse o ex-técnico da seleção.

Durante a sessão, os nomes dos atletas não puderam ser citados a pedido do advogado de defesa, Luís Ricardo Davanzo, que estava presente, alegou que o processo segue em segredo de justiça. Malta disse que vai convocar Lopes para um novo depoimento na CPI assim que a quebra de sigilo dos dados for concluída. 

Lopes foi afastado de todas as suas funções no clube de São Bernardo desde que as denúncias vieram à tona. 

No início do mês, foi cumprido mandado de busca e apreensão na casa dos pais do treinador, onde ele também reside atualmente, em São Bernardo. Foram recolhidos CDs, DVDs, pen drives, HD externo e fita cassete. A polícia não divulgou o conteúdo do material.

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