Em desenvolvimento, Brasil entra no mapa mundial do beisebol

Em desenvolvimento, Brasil entra no mapa mundial do beisebol

País demonstra ascensão no esporte com classificação inédita para Mundial, jogadores em destaque na MLB e formação de novos times

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2014 | 09h09

A Major League Baseball (MLB), principal liga norte-americana da modalidade, em parceria com a Confederação Brasileira de Beisebol, está realizando várias ações para impulsionar o desenvolvimento de atletas e do esporte no Brasil. Depois que a seleção brasileira conseguiu a inédita classificação para o World Baseball Classic de 2013, maior competição de nações do esporte, no ano passado, o Brasil entrou no mapa mundial do beisebol.

Uma das ações é a realização de peneiras em três cidades brasileiras (Maringá, Marília e Ibiúna) em outubro para descobrir novos talentos. Olheiros da liga norte-americana vão avaliar os atletas e enviar os resultados para os 30 times da liga. Testes de habilidades gerais, tais como corrida de 55 metros, capacidade de rebater e força do braço no arremesso curto (arremesso tradicional pitcher para catcher) e longo (do outfiled para infield, ou uma base a outra). As posições de catcher (defensor que fica atrás do rebatedor) e pitcher (arremessador) também serão analisadas. De acordo com o desempenho, alguns jogadores podem ser selecionados para uma sessão de treinos de dez dias com treinadores norte-americanos com praticamente as mesmas técnicas da liga.

Todos querem descobrir um novo Yan Gomes, primeiro brasileiro a jogar nos Estados Unidos em 2012. Depois de atuar em ligas de desenvolvimento, atualmente ele está na sua terceira temporada na MLB, defendendo o Cleveland Indians, e tem seu melhor ano na liga. Ele renovou contrato por mais seis temporadas no valor de R$ 51 milhões. "É importante começar a praticar beisebol quando se é criança. Trazer o beisebol para as escolas e clubes pode aumentar a popularidade do esporte no Brasil", afirma o paulista de 24 anos.

Outra história de sucesso é a de André Rienzo, que fez uma sequência de jogos pela equipe do Chicago White Sox. Em sua segunda atuação como arremessador titular, André foi eleito o melhor jogador da partida contra o contra Tampa Bay Rays. Em 2011, Luiz Gohara, então com 16 anos, saiu-se bem nos testes e assinou um contrato milionário com a equipe do Seatle Mariners, avaliado em U$ 880 mil. Em 2014, Gohara vem se destacando nas ligas menores e tem boas chances de chegar à liga principal, como fizeram Yan Gomes e André Rienzo.

Outra ação para popularizar o esporte é associação com clubes de futebol.  O Náutico é o primeiro clube tradicional de futebol no Brasil a ter uma equipe nessa modalidade. Em setembro, realizou um jogo de exibição contra o Natal Solaris-RN, no Estádio dos Aflitos, que atraiu cerca de 500 torcedores. O clube inaugurou uma escolinha para crianças de 10 a 14 anos que, com o apoio da liga norte-americana, terá "Jaula de Rebatida", um campo que deverá ocupar parte do CT do clube e equipamentos (tacos, luvas, proteções e bolas). "Estamos fazendo investimentos de longo prazo para aproveitar o potencial de crescimento no Brasil no beisebol", afirma o coordenador do departamento internacional de Marketing e Desenvolvimento do Jogo da MLB, Caleb Santos.

ENVOLVIMENTO

Como toda estratégia de negócios, também existe espaço para relacionamento com potenciais fãs e consumidores. Nesta quarta-feira, a liga vai promover uma espécie de fan fest, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, para que os convidados assistam à segunda partida da grande final da Liga Americana de Beisebol. Dentre os convidados estão representantes dos governos brasileiro, norte-americano e japonês, personalidades do mundo da moda, empresários, atletas e ex-atletas profissionais da MLB e também da Seleção Brasileira de Beisebol. É uma iniciativa inédita, parecida com o que ocorre nos jogos da NBA.

Em 2015, os principais jogadores brasileiros dos Estados Unidos estarão no Brasil percorrendo as escolas municipais, principalmente no Recife, para mostrar que o sonho do beisebol pode se tornar realidade. "O envolvimento das pessoas tem sido maior do que esperado, mas podemos crescer ainda mais. O Brasil pode se apaixonar pelo beisebol", diz Caleb. 

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