Michael Sohn/AP
Michael Sohn/AP

Em evolução, Brasil espera superar potências do gelo no bobsled

Meta do quarteto do País é ficar entre os 15 mais bem colocados na Coreia do Sul. Prova vai começar às 21h30

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2018 | 07h02

Rafael Souza é o caçula do quarteto brasileiro de bobsled, que tentará hoje uma posição honrosa nos Jogos de Inverno, que estão sendo disputados em Pyeongchang, na Coreia do Sul. Ele vai competir ao lado de Edson Bindilatti, Odirlei Pessoni e Edson Martins (Erick Vianna é reserva) e sonha conseguir muitas posições à frente de outras grandes potências do gelo.

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“A gente está bem preparado e queremos ser top 15 no bobsled. Não é passeio”, avisou o rapaz de 21 anos, carioca de Vaz Lobo, na zona norte do Rio. Ele sabe que a medalha é quase impossível, mas se apega à grande evolução que a equipe teve nos últimos anos, quando saiu da 36.ª para a 21.ª colocação no ranking internacional.

“Eu sempre tive o sonho, mas não imaginava que chegaria tão novo numa Olimpíada. Minha mãe fica um pouco nervosa, pois sabe que o bobsled tem alguns tombos, mas ela está super emocionada com tudo isso. É uma honra para a família”, disse Rafael, que tem origem em família humilde.

Ele começou sua trajetória no esporte no atletismo, mas sentia sempre dores no músculo posterior da coxa direita. As idas e vindas para o departamento médico estavam cansando o rapaz, que praticava no projeto da Mangueira. Foi quando ele ficou sabendo de seletivas do bobsled e resolveu tentar a sorte no esporte de inverno.

“Eu conhecia um pouco a modalidade por causa do filme Jamaica Abaixo de Zero, mas não tinha muita noção do que realmente era. Meus amigos nem sabiam que existia o bobsled. Comecei há dois anos e tinha de explicar para todo mundo o que era”, contou Rafael, que é considerado um atleta de grande futuro na modalidade.

Suas características físicas chamaram atenção da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo. “Como sou rápido e forte, posso me encaixar em qualquer lugar do carro. O pessoal me ajudou muito nessa parte de prática e técnica”, comentou. Ele também é menor que seus companheiros, o que facilita na hora de entrar no trenó.

O quarteto brasileiro está motivado por causa do bom ciclo olímpico que realizou. Entre os resultados estão o título de campeão da Copa América em 2015 e 2018 e a medalha de bronze no Mundial de Push (Arrancada) em 2016, na Romênia. “Recentemente, ficamos quatro meses fora do País. Fomos em setembro e voltamos em janeiro. Aí deu para ter boa preparação de clima e ritmo de competição”, lembrou Rafael.

A competição será realizada hoje a partir das 21h30 (horário de Brasília) e 30 quartetos estarão na disputa da medalha. Após três descidas de cada conjunto, os 20 mais bem colocados na soma dos tempos avançam para a prova final, amanhã, também às 21h30.

Para Rafael, o sonho está sendo construído a cada descida e ele sabe que terá uma torcida particular no verão quente de Vaz Lobo. “O brasileiro, por onde passa, recebe um carinho especial dos outros atletas. O pessoal torce muito pela gente, é uma euforia quando competimos”, concluiu.

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