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Antero Greco
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Em favor do encanto

Usain Bolt em ação é garantia de espetáculo. Cada vez que o raio jamaicano entra na pista, fica a dúvida só em relação aos segundos de que precisará para percorrer os 100 ou os 200 metros, suas especialidades. Haverá recorde ou não? A vitória, essa não se discute. Tão raros os tropeços que se podem contar em metade dos dedos de uma mão. Teve aquele da Coreia, dois anos atrás, e o... o... qual mesmo?

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2013 | 02h02

Quase nada consegue detê-lo. O moço parece imune a vento, gripes, distensões, dor de barriga, torcicolo, e outras miudezas que derrubam gente comum. Muito menos iriam atrapalhá-lo uns reles pinguinhos de chuva como os de ontem em Moscou.

Bolt correu aquela distância que molda a prova mais nobre do atletismo em 9s77 - menos tempo do que se leva para ler esta frase. Bem curta, por sinal. Três patrícios dele, dois americanos, um britânico e um francês comeram poeira novamente. Estavam lá para compor o grid e ressaltar o brilho do trovão.

Não adianta ressaltar que faltaram Tyson Gaye e Asafa Powell, suspensos por doping, ou ainda Yohan Blake, que sentiu uma contusão um tanto mandrake. Azar dos três que se enroscaram. Bolt já correu contra tais bólidos e os venceu. Portanto, não há o que diminua a façanha dessa assombração.

A cada nova conquista, seja em Mundiais, Olimpíadas, Meetings, a lenda de Bolt se torna mais consistente. Além de ser fora de série, esbanja simpatia, interage com o público, sabe do fascínio que exerce. Pertence à casta especialíssima dos supercampeões, como Senna, Federer, Mohammad Ali, Tyson do auge da carreira, Pelé, Phelps, Carl Lewis e alguns outros. Pessoas que deram dimensão extraordinária para o esporte, superaram marcas, estabeleceram parâmetros de qualidade.

Um medo de vez em quando me provoca calafrios: o de que um dia surja a notícia de que Bolt também tomou bomba. Com tantos mitos que caem, por uso de substâncias proibidas - Lance Armstrong, para citar um caso chocante -, não é neura ficar com a pulga atrás da orelha diante de resultados sobre-humanos. Não, Bolt não. Alguma fantasia ainda deve restar pra nossas vidas não se tornarem cinzentas demais.

Rodada alvinegra. O fim de semana foi estupendo para o Corinthians, que saltou para o quarto lugar ao fazer 2 a 0 sobre o Vitória, que estava a sua frente na tabela. Além disso, Cruzeiro e Botafogo empataram, sem jogar bem, no 0 a 0 com o Santos e no 1 a 1 com o Goiás, respectivamente. O Coritiba deu uma tropicada, no 1 a 0 para o Vasco da Gama, em casa, à tarde. No início da noite, os 2 a 2 de Internacional x Atlético-PR foram a cereja no bolo.

A rapaziada de Tite não fez nada de excepcional contra o rival baiano. Jogou para o gasto, como tem sido marca registrada nos últimos meses. Um gol em cada tempo, de forma bem econômica, e compromisso liquidado. A atenção ficou em torno de Alexandre Pato, escalado como titular no lugar de Guerrero. Nada fora do comum, e teve como destaque participação na jogada do segundo gol, em pênalti que ele provocou e marcou.

Calvário tricolor. Está difícil ver reação do São Paulo. Houve empenho, o grupo superou o cansaço da viagem ao Japão, criou, pressionou, teve até pênalti a favor (Rogério desperdiçou), e no fim amargou derrota por 2 a 1 para a Lusa. Com direito também a Aloísio botar a mão na bola em lance que valeria o empate. Nesse ritmo, é Segundona à visa...

Copa 14. O Ministério Público quer captar o significado do Mundial e desdobramentos para o Brasil. Para tanto, reúne especialistas na sede de seu Conselho Nacional, em Brasília, para analisar atos populares durante a Copa das Confederações, a remoção de famílias em áreas requisitadas para obras, direitos dos torcedores e dos consumidores, dentre outras questões. Os debates, na quinta-feira, serão abertos aos interessados. Inscrições, até hoje, no endereço copadomundo@cnmp.gov.br.

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