Mark Baker/AP
Mark Baker/AP

Em GP eletrizante, Hamilton deixa Vettel para trás

Inglês quase larga dos boxes, mas, com bela atuação, toma a ponta do alemão e vence na China: ''Alegria impensável''

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2011 | 00h00

Com recursos artificiais ou não, a realidade é uma só: o GP da China, vencido ontem por Lewis Hamilton, da McLaren, foi a corrida mais espetacular dos últimos tempos na Fórmula 1. Hamilton, Sebastian Vettel, da Red Bull, segundo colocado, Jenson Button, McLaren, quarto, Nico Rosberg, Mercedes, quinto, e um Felipe Massa, Ferrari, de novo na versão 2008, veloz e seguro, sexto, ofereceram um espetáculo raro: luta acirrada pela vitória contra tudo o que a classificação do grid, sábado, sugeria.

Para temperar ainda mais o show, Mark Webber, companheiro de Vettel, completou o pódio, em terceiro, depois de largar em 18.º. A mensagem foi dada: nessa nova Fórmula 1, as ultrapassagens são possíveis e a posição de largada, em circuito onde há ao menos uma reta longa, é menos importante que manter ritmo veloz durante a corrida. Mais: é fundamental acertar a hora do pit stop. Uma volta a mais ou a menos do pneu pode fazer toda a diferença.

"Eu não acreditei quando alcancei Sebastian. Aproveitei absolutamente cada segundo da prova, cada uma das muitas batalhas em que me envolvi" foram algumas das declarações de Hamilton, para quem a etapa de Xangai, terceira do campeonato, não será esquecida tão cedo. Um problema de vazamento de combustível detectado antes de deixar os boxes por muito pouco não o faz largar dos boxes.

"Vi os mecânicos trabalhando rápido para resolvê-lo e procurei passar calma. Apenas perguntei quantos minutos faltavam e me responderam seis." O jovem inglês, campeão do mundo de 2008, deixou a área de boxe 30 segundos antes do fechamento. Os técnicos concluíram o trabalho no grid.

"Diante da possibilidade de nem largar no grid e de dispor de um carro que era um desastre, não conseguia completar 20 voltas na pré-temporada, ganhar hoje, superar Vettel, me dá uma alegria impensável", disse Hamilton, vice-líder do Mundial, com 47 pontos diante de 68 de Vettel, vencedor das duas primeiras provas, na Austrália e na Malásia.

O alemão, atual campeão do mundo, brincou com a tampinha de garrafa de água sobre a mesa durante a entrevista dos três primeiros colocados. É a senha para a imprensa saber estar desapontado. "Hoje erramos, o que é normal. Eu não larguei bem, usando o kers (sistema de recuperação de energia, capaz de dar 80 cavalos extras de potência), e nossa estratégia é algo para ser estudada", afirmou Vettel.

E emendou: "Velocidade nós tínhamos, basta ver o que fez Webber", falou, claramente criticando a escolha de duas paradas da equipe, enquanto Webber, com três, ganhou 15 colocações. Hamilton, o vencedor, também fez três pit stops. "Aprendemos muito aqui, hoje", disse Vettel, que confirmou ter utilizado o kers em cerca de metade da competição apenas.

Lamentou ter perdido alguns preciosos segundos ao alinhar o carro da Red Bull para a primeira parada, na 13.ª volta de um total de 56, e ver a McLaren de Button no lugar errado, na sua vaga. "Precisamos estudar essa predileção de outros pilotos estacionar no meu time. Uma Toro Rosso já fez o mesmo comigo", comentou o atual campeão do mundo.

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