Em Israel, ''mas longe do conflito''

Zico: técnico do CSKA; técnico se assusta com escolha do local para a pré-temporada, mas tem garantia da diretoria que confronto vai ficar distante

Entrevista com

Bruno Lousada, RIO, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

O primeiro desafio de Zico como técnico do CSKA, da Rússia, veio antes mesmo de a bola rolar e não tinha nada a ver com a montagem do time. O motivo era outro: a equipe faria a pré-temporada em Israel, país em conflito com os palestinos. O maior ídolo da história do Flamengo estava preocupado em entrar numa área de risco. Pensou em pedir para a diretoria mudar o local de treinamento, mas não havia jeito. Já era hábito do clube treinar na região e não seria ele que modificaria isso. Só lhe restou, então, confiar nas palavras dos dirigentes de que nada de ruim aconteceria. "Já estamos em Caesarea, perto de Tel Aviv. É o quinto ano seguido que o CSKA vem para cá e os diretores garantiram a todos que não teríamos nenhum problema. Parece que eles têm razão", declarou Zico, em entrevista concedida por e-mail ao Estado. "Estou aqui há poucos dias sem qualquer transtorno e bem distante do conflito."Aos 55 anos, Zico trocou recentemente o desconhecido Bunyodkor, do Usbequistão, pelo CSKA e já tem data para estrear. Será no dia 18 de fevereiro, num jogo decisivo entre a equipe russa e o Aston Villa, na Inglaterra. Vale vaga nas oitavas-de-finais da Copa da Uefa, torneio no qual o clube foi campeão em 2005 e quer repetir a dose. "O objetivo sempre é de conquistar títulos." Ex-jogador conhecido pelo fino trato com a bola, encantando o mundo com as camisas do Flamengo, da Udinese e da seleção brasileira, Zico começou a carreira de técnico em 1999, no Kashima Antlers, do Japão. Assumiu em 2002 a seleção japonesa, com a qual disputou a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Depois passou pelo Fenerbahçe, da Turquia, com sucesso. Sagrou-se campeão nacional. "Espero evoluir sempre."Como foi a recepção no novo clube? Foi muito boa. Encontrei vários brasileiros por aqui, como o Paulo Paixão na preparação física e o Tulio (Menezes) na fisioterapia, além dos jogadores Daniel Carvalho, Vágner Love e Ramon (ex-Atlético Mineiro). Você já teve contato com a torcida?Ainda não deu tempo para o contato com os torcedores. Cheguei a Moscou com menos 16 graus de temperatura e conheci apenas o Centro de Treinamento do clube e os atletas. No dia seguinte, a equipe já seguiu para Israel para fazer a pré-temporada.O que espera deste novo desafio?Espero evoluir ainda mais como treinador, fazer mais uma vez um bom trabalho e manter o CSKA como um time vencedor não somente na Rússia, mas também tentar obter bons resultados nas competições europeias. Você tem como meta fazer história agora como técnico?Não me preocupo muito com isso. Minha meta é o trabalho. Era assim quando eu jogava e não mudou como treinador. Fazer história no clube é a consequência de conquistas importantes. Então, é arregaçar as mangas e trabalhar. É o que penso. Já estudou o time do Aston Villa, em jogo que marcará sua estreia à frente do CSKA? Sim. O mais importante, no entanto, é conseguir chegar em boas condições para enfrentar o Aston Villa, pois temos a desvantagem da paralisação das atividades no fim do ano. Os ingleses, por sua vez, estão embalados. É compensar isso com trabalho e superação. A meta principal do CSKA em 2009 é conquistar a Copa da Uefa novamente?O objetivo sempre é de conquistar títulos, ainda mais em um clube que já sentiu este gostinho na Uefa. Mas também temos a intenção de vencer o Campeonato Russo. Além disso, vamos nos preparar da melhor forma possível para a próxima Liga dos Campeões, cuja vaga já garantimos. Como está a pré-temporada do CSKA em Israel, país em conflito com os palestinos? Já estamos em Caesarea, perto de Tel Aviv. É o quinto ano seguido que o CSKA vem para cá e os diretores garantiram a todos que não teríamos nenhum problema. Parece que eles têm razão. Estou aqui há poucos dias sem qualquer transtorno e bem distante do conflito. Trabalhar com tantos brasileiros vai facilitar sua adaptação ao clube? É sempre bom falar um pouco de português. É uma vantagem, mas a linguagem do futebol é universal.Já conhecia o time do CSKA? Sim, o enfrentei duas vezes na Liga dos Campeões do ano passado e, de lá para cá, não houve muitas mudanças, a não ser a perda dos brasileiros Jô (atacante) e Dudu Cearense (volante). Esse é o momento de analisar melhor o grupo e saber se precisamos de reforços. Sei que é um time bem entrosado, com tradição no futebol russo. Você vai sugerir a contratação de jogadores que atuam no futebol brasileiro para o CSKA? Por enquanto não. Seria precipitado fazer isso antes de avaliar o elenco. Além disso, já temos muitos estrangeiros no grupo e não poderíamos contratar mais, a não ser que um deles saísse. Não indiquei ninguém até o momento.

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