Em Moscou, na busca do brilho perdido

Ainda sob os efeitos dos últimos escândalos graves de doping, competição começa hoje com Usain Bolt nas eliminatórias dos 100 m na pista do Luzhniki

AMANDA ROMANELLI , ENVIADA ESPECIAL A MOSCOU, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2013 | 02h06

O atletismo busca em Moscou um pouco do brilho perdido. A 20.ª edição do Mundial, no Estádio Luzhniki, começa sob uma sombra recorrente no esporte de alto rendimento, o doping. Mas a ameaça tem sido grande demais para a modalidade número 1 dos eventos olímpicos.

Não faltaram notícias ruins nesta temporada. A última delas, ontem, foi a exclusão da barreirista francesa Alice Decaux do Mundial por doping - segundo a federação de seu país, ela utilizou suplemento alimentar que continha uma substância da família das anfetaminas.

Decaux não é uma atleta de grandes resultados - é vice-campeã francesa dos 100 metros com barreiras. O mesmo não se pode dizer de nomes como os jamaicanos Asafa Powell, Veronica Campbell-Brown e Sherone Williams, além do americano Tyson Gay. São estrelas do atletismo, participam das provas mais nobres do esporte (100 m e 200 m), que atingem diretamente o interesse do público na modalidade.

Para alívio dos fãs, os escândalos têm passado longe do astro maior. Usain Bolt, o fenômeno das pistas, mantém-se intocado e chega a seu quarto Mundial em busca de nova façanha - algo que, para ele, parece ser comum. O jamaicano quer repetir a tríade que obteve na Olimpíada de Londres, ano passado, com ouro nos 100 m, 200 m e 4 x 100 m.

Caso consiga, Usain Bolt se igualará aos americanos Carl Lewis e Michael Johnson, homens que mais conquistaram medalhas na história dos Mundiais: dez. Lewis precisou de dez anos e uma prova a mais, o salto em distância. Johnson, em três eventos, o fez em oito anos. Bolt, se atingir seu objetivo, terá precisado apenas de seis.

Além dos desfalques por doping, o Mundial também perdeu o brilho de quem sucumbiu às lesões, algo comum em um ano pós-olímpico. Além de Yohan Blake, que não defenderá seu título nos 100 metros, a britânica Jessica Ennis, campeã olímpica do heptatlo, está fora de Moscou. Ela não conseguiu se recuperar de uma lesão no tendão de Aquiles, sofrida no ano passado.

Outra baixa importante é a do queniano David Rudisha, protagonista de uma das provas mais fantásticas da Olimpíada de Londres, quando bateu o recorde mundial dos 800 metros - na disputa, todos os atletas melhoraram suas marcas pessoais e também houve o recorde mundial júnior. Rudisha, que também é campeão mundial, torceu o joelho durante um treino em Nova York.

E, em um torneio marcado por tantas ausências, haverá uma dolorosa despedida. Yelena Isinbayeva, a mulher que levou a disputa do salto com vara para o estrelato, competirá pela última vez. Após ensaiar uma extensão da carreira até a Olimpíada do Rio, em 2016, a russa de 31 anos confirmou que fará seu adeus diante de sua torcida.

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