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Em 'Olimpíada do celular', internet do Rio preocupa

Diretora de comunicação fala sobre tecnologia nos Jogos

Entrevista com

Adriana Garcia

Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2016 | 10h00

O Rio vai sediar os Jogos Olímpicos do celular. A aposta é da diretora de comunicação do Comitê Olímpico, Adriana Garcia. Com uma atuação ligada diretamente ao setor de tecnologia, ela destaca que o trabalho no Comitê também será para alimentar os Jogos dentro dos smartphones. "Nosso projeto é baseado para ser consumido em dispositivos móveis", explica. Em entrevista ao Estado, Adriana aproveita para comentar das preocupações com a rede telefônica no Rio de Janeiro e das questões recentes no que diz respeito ao fim da internet ilimitada. 

Fale um pouco como está estruturado a área de tecnologia para os Jogos Olímpicos 2016.

Especificamente, tem uma área dedicada ao desenho dessa interação, essa na ponta do usuário. Na parte de tecnologia, a gente segue alguns "nortes". Primeiro vem o planejamento que o próprio COI sugere. Identificamos todos os tipos de usuários e desenhamos serviços no entorno dessas pessoas. A gente vem testando os serviços no Rio, nas provas e eventos. Usamos os eventos também para treinamento em equipe, engajamento das  pessoas e teste operacional para o período dos Jogos. Essas áreas que propiciam a entrega das interações são  principalmente a área de resultados, que é a parte critica em relação aos Jogos, cuja entrega é feita por uma equipe esportiva para cronometragem e edição. Para garantir que tudo dê certo, serão feitas mais de 200 mil horas de testes, a fim de garantir que a base de dados funcione com rapidez e confiabilidade. 

Dentre essas áreas, existe alguma que é prioridade?

Não exatamente prioridade, mas no contato com os usuários é que a gente vai ser julgado, caso a gente consiga resultados em tempo real. Os usuários são sempre o grande foco da comunicação e da tecnologia. O que almejamos: os melhores resultados e o maior tempo real possível no menor tempo de divulgação.

Quais são as principais inovações tecnológicas que deverão vir para o Rio 2016?

Há novidades em muitas áreas. A mais importante é que o nosso projeto é baseado para ser  consumido em dispositivos móveis. Com relação aos resultados, vamos fazer uma convergência entre placar e telão de jogos de futebol em mais arenas e esportes. A ideia é melhorar a experiência do espectador. Ele vai ter uma tela única com  tamanho bem maior. Durante as competições, as telas serão separadas e durante os intervalos as imagens  ficam em toda a área. Isso dá uma experiência mais bacana. As mudanças da tecnologia vão também ajudar mais a arbitragem e em mais esportes do que em Londres. Vamos ter tira-teimas feito com câmeras para identificar se a bola está na rede ou ficou na linha. Essa espécie de tecnologia será mais usada e mais eficiente no Rio-2016, especialmente no vôlei e no badminton. Ou seja, terá mais equipamentos para confirmar o resultado e as decisões dos juízes. 

Você têm vários desafios trabalhando com tecnologia na Olimpíada. Uma das questões recentes no Brasil foi o fim da chamada "internet ilimitada". Vocês enxergam isso como um problema em relação à interatividade?

A gente sabe que existem problemas sobre isso no Brasil. A acessibilidade à rede no Rio de Janeiro vai melhorar, em termos de cabeamento, uma série de ações de infraestrutura foram feitas. Então, esperamos que em geral a experiência do usuário seja melhor e esteja garantida. Agora não podemos responder pelas operadoras. Este é um dos pontos críticos em observação. Estamos olhando muito de perto para isso.

Tirando esse problema, qual o maior desafio ao trabalhar com tecnologia na Olimpíada?

Acho que é garantir os resultados em tempo real e que eles cheguem às pessoas por meio da conectividade. Acho que todo mundo que vai assistir ao Jogos quer saber dos resultados e ver o quadro de medalhas. Se a pessoa não tem acesso bom à rede, isso ficará comprometido, essa falha compromete todas as experiências dos usuários. Outra coisa especificamente de tecnologia de acesso, leve, mas que é um ponto crítico que também temos problemas, é a energia elétrica. A gente está olhando para isso também.

O COI deu um planejamento prévio no que diz respeito à tecnologia. Das exigências feitas, quais foram as mais complicadas de se realizar em um País como o Brasil?

O ponto de atenção do COI é especialmente no que diz respeito ao acesso à rede. É um ponto crítico porque na Europa o COI está acostumados com um nível de acesso que não existe aqui. Eu acredito que seja um ponto de preocupação que o COI expressa e que destaca que é essencial para a experiência dos Jogos. Os problemas foram mapeados e estamos fazendo de tudo que está ao nosso alcance.

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