Em Portugal, Gabriel Medina passa por cima da pressão no Mundial

Com chance de ganhar o título em Portugal, brasileiro elimina dois adversários na estreia e avança diretamente à terceira fase

Paulo Favero - ENVIADO ESPECIAL A PENICHE, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 07h00

Gabriel Medina parece não ter sentido a pressão de estar perto do título mundial de surfe e nesta terça-feira, ao cair na água, não deu chance para seus adversários, os australianos Kai Otton e Jacob Willcox, e avançou diretamente à terceira fase do Moche Rip Curl Pro Portugal. "Para mim é a etapa mais importante do ano, mas eu estou tranquilo", diz.

Ele foi muito aplaudido pela grande torcida presente na praia de Supertubos, em Peniche, principalmente quando tentava aéreos ou acertava um tubo no mar mexido. "O pessoal tem me dado muito apoio e confiança. Aqui me sinto bem e Portugal é minha segunda casa. Faz tempo que não vou ao Brasil, então mato a saudade aqui."

Os laços entre os dois países são vistos com bons olhos pelo brasileiro, que apesar de ter apenas 20 anos já é um ídolo local. "Aqui a gente fala a mesma língua, como as mesmas coisas que no Brasil, é muito bom", afirma. Um outro ponto de apoio é a presença dos familiares, que sofreram quando ele entrou no mar, torceram bastante e comemoraram depois de avançar direto com 14,27 pontos em 20 possíveis.

Ao mesmo tempo que ele se sente bem em terras portuguesas, Kelly Slater, que também avançou diretamente à terceira fase, tem reclamado da falta de sorte na competição. Nesta terça-feira, ele ganhou a chave da cidade de Peniche, foi homenageado e se manteve na briga pelo título mundial. Mas sabe que a etapa não lhe traz só boas recordações. "Eu gostaria de esquecer os dois últimos anos aqui em Portugal, pois ambos me custaram o título mundial", lamenta o norte-americano.

Ele tirou a maior nota do dia, 17 pontos, na bateria contra Matt Wilkinson e Nic Von Rupp. "É sempre difícil surfar em condições assim, mas tive paciência, esperei e acabei conseguindo. O Gabriel é competitivo, eu era assim na idade dele. Dá para perceber que está sempre querendo melhorar e desenvolvendo suas habilidades", elogia Slater.

Na matemática do título, a vitória de Medina na estreia pouco muda, pois ele já tem um 13.º lugar de descarte e, caso perca na terceira fase, não mudará sua pontuação. Mas, sem disputar a repescagem, ele ganha um tempo maior de descanso que outros adversários ao título, como Mick Fanning e John John Florence, que terão de disputar a segunda fase. “Estou focado apenas em mim, não dependo dos outros para ser campeão. Estou feliz com a vitória e vamos ver o que vai acontecer na próxima fase”, afirma o brasileiro.

Com condições climáticas adversas, principalmente no que se refere à direção dos ventos, todo dia a organização do evento vai fazer uma avaliação pela manhã (madrugada no Brasil) para decidir se há condições de disputa. A segunda fase terá dois brasileiros (Alejo Muniz e Raoni Monteiro), pois outros cinco ficaram em primeiro em suas baterias e evitaram a repescagem: Medina, Adriano de Souza, Jadson André, Filipe Toledo e Miguel Pupo. A competição tem até o dia 23 para ser finalizada.

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