Em público, elogio do COI. Nos bastidores...

Jacques Rogge se diz ''orgulhoso'' da preparação da cidade para o evento, mas volta a cobrar a rápida criação da Autoridade Pública Olímpica

Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

Na solenidade de lançamento da pedra fundamental da Vila Olímpica, cortejado por autoridades e organizadores dos Jogos de 2016, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, disse que está muito satisfeito "e orgulhoso" com a preparação do evento. Ele foi a grande atração da festa realizada ontem pela manhã na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. Num rápido discurso, elogiou a parceria de União, Estado e prefeitura do Rio para a realização da Olimpíada. "Isso é fundamental para o sucesso dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos."

Antes, porém, o presidente do COI cobrou mais uma vez do País a criação da Autoridade Pública Olímpica (APO), órgão que vai coordenar as ações dos três níveis de governo relacionadas aos Jogos. Esse incômodo do COI foi manifestado com mais ênfase em maio deste ano. Desde então, a consolidação da APO avançou a passos lentos, notadamente na esfera da prefeitura carioca, que ainda não levou o tema para aprovação da Câmara de Vereadores.

Na terça-feira, o ministro do Esporte, Orlando Silva, disse ao Estado que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, prometeu resolver o impasse antes do carnaval.

A Vila Olímpica vai ser um conglomerado de 48 prédios de 12 andares, com 2800 apartamentos para 17.700 atletas. O complexo, orçado em R$ 2,5 bilhões, está a cargo da iniciativa privada e deve ficar pronto em 2015. "Será a melhor e a mais bonita Vila da história dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos", disse o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador dos Jogos, Carlos Arthur Nuzman.

Jaques Rogge vai passar os últimos dias do ano no Brasil, com uma série de atividades agendadas. Antes de Sandra Pires, medalha de ouro no vôlei de praia nos Jogos de 1996, descerrar o pano que cobria a pedra fundamental da vila, o dirigente fez menção ao momento em que o Brasil foi escolhido como sede da Olimpíada de 2016. "Há 14 meses, eu pronunciei a palavra mais importante para os senhores ao abrir um envelope e dizer "Rio". Depois, foi aquela euforia toda", declarou, referindo-se à eleição realizada em outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca.

No encontro que reuniu ainda o prefeito Eduardo Paes e o governador do Rio, Sergio Cabral, e a presidente da Comissão de Coordenação do COI para os Jogos Rio 2016, a marroquina Nawal El Moutawakel, Jacques Rogge disse que a vitória do Rio marcou uma nova época para o COI. E destacou que a Vila Olímpica é um "lugar sagrado", onde milhares de pessoas convivem em harmonia, "independentemente de religião, cultura, idioma, etnia e sistema político".

Do local das obras da vila, oficialmente iniciadas ontem, Rogge seguiu para a Arena da Barra. Lá, participou de outro evento, no qual Eduardo Paes e o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) no Rio, Sérgio Magalhães, assinaram termo de cooperação técnica para a realização de concurso público internacional de arquitetura e urbanização do Parque Olímpico da Barra, que concentrará 19 instalações dos Jogos - receberá competições de judô, vôlei, basquete, ciclismo, hóquei, tênis, taekwondo, natação, luta e handebol.

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