Michelle Mondini
Michelle Mondini

‘Em Tóquio, tenho tudo para chegar numa forma ainda melhor do que estou hoje’

Ciclista brasileiro festeja bom momento após quarto lugar no Mundial de Mountain Bike

Entrevista com

Henrique Avancini

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2017 | 17h01

O ciclista brasileiro Henrique Avancini conquistou um resultado histórico no Mundial de Mountain Bike: o quarto lugar. A expressiva marca está servindo de combustível para ele, que fez uma ótima temporada após não ir tão bem nos Jogos do Rio, chegar ainda mais longe em 2020.

 

Você conquistou o quarto lugar no Mundial. Achava que poderia chegar tão perto da medalha?

O quarto lugar foi realmente um resultado muito expressivo para mim individualmente, mas também para o ciclismo nacional como um todo. Passa a ser o principal resultado em Mundiais da UCI de um ciclista latino-americano em toda história e fico feliz. Realmente esperava uma performance muito boa, mas não previa um resultado tão bom assim. Vinha numa crescente na temporada e ficar tão próximo da medalha foi uma boa surpresa.

 

Seus resultados têm melhorado sensivelmente. Acha que ainda pode evoluir ainda mais?

De fato a temporada tem sido bastante crescente. Considero que esse ano tem sido um reflexo, mais do que uma evolução física, de uma maturidade esportiva. Eu nunca cheguei a essa fase final da temporada com o estado físico e mental que estou no momento, nunca estive tão recuperado como eu estou. Então isso me motiva bastante para fazer um 2018 muito melhor. Eu tive uma lesão nos Jogos Olímpicos e passei um período muito longo em recuperação, voltei longe da minha forma, mas em 2018 vou estar com uma evolução muito melhor, e com outra confiança também, então espero que esse grande resultado no nível internacional não seja o último e que eu possa conquistar resultados ainda melhores.

 

Como competir com grandes nomes da modalidade, que possuem mais estrutura e suporte?

O mountain bike olímpico é uma modalidade predominantemente europeia, e isso se reflete nos resultados também. As principais equipes, pistas e centros de treinamento estão na Europa, então é muito natural que os principais atletas estejam lá também. Para mim foi muito difícil alcançar o nível profissional que eu alcancei. Tenho de participar de muito mais eventos e me esforçar ainda mais. Agora todos os europeus estão em férias e eu tenho de compensar isso fazendo outras atividades para que possa ter um lugar, profissionalmente falando, na Europa.

 

Como é sua rotina de treino e quais os próximos objetivos?

O treinamento para o mountain bike olímpico é muito complexo. Precisa desenvolver resistência para competir mais de uma hora e meia, e precisa ter velocidade explosiva para sprint finais, largada e disputa de posições, então você é praticamente um atleta de endurance com característica de sprinters. Além disso, precisa ter capacidade técnica muito grande pois não existem dois circuitos iguais no mundo. O atleta deve ser capaz de cobrir todas as necessidades da modalidade e por isso a preparação é bastante exigente e completa. Eu chego a realizar até quatro sessões de treinamento por dia, com objetivos diferentes em cada uma delas, e é um programa de treinamento que é bastante exaustivo.

 

Depois dos Jogos do Rio, como ficou a questão de patrocínio?

Depois da Olimpíada eu fiquei realmente feliz de não depender de programas governamentais ou de confederação. Eu gostaria muito mais, como atleta, de ter investimentos perenes. Isso para o atleta é de extrema importância, porque ele não pode parar de trabalhar. Esse é o ponto-chave para a evolução do atleta. Não se treina alguns meses e entrega performance de excelência. Tem de fazer isso trabalhando ao longo dos anos. Hoje eu me sustento somente de iniciativa privada, de patrocinadores que tenho como a Red Bull e a equipe Cannondale, que é baseada na Alemanha.

 

Acha que é possível chegar forte nos Jogos de Tóquio?

Espero que sim. Minha primeira preocupação com Tóquio-2020 é saber qual será o critério de classificação para obtenção da vaga, pois isso sempre é uma coisa estressante. Nos Jogos do Rio isso me tirou muita energia, essa discussão toda sobre a qualificação olímpica, e isso para um atleta é mentalmente muito desgastante. Falando esportivamente, tenho tudo para chegar muito bem. Competi nos Jogos do Rio com uma idade ainda jovem para a modalidade. Em Tóquio minha idade será a idade média dos medalhistas olímpicos nas últimas edições, então até pelo meu momento, pelo que eu fiz em 2017 e pelo que eu projeto para os próximos anos, tenho tudo para chegar numa forma ainda melhor do que estou hoje.

 

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