Em Zurique, Mercedes, compras e luxo

'Família Fifa', formada por cartolas e seus parentes, invade a cidade suíça para o Congresso anual da entidade

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2011 | 00h00

O balé de Mercedes negras com vidros fumê pelos hotéis mais luxuosos da Suíça impressionava até mesmo observadores da cidade de Zurique, acostumados à presença de personalidades.

Neste fim de semana, a cidade viu chegar 208 delegações de todo o mundo. Trata-se da "Família Fifa", ou seja, os presidentes de federações de futebol, quase todos acompanhados pelas mulheres, filhos e, em alguns casos, até netos. Na ponta das comitivas, uma van trazia as malas das delegações, invariavelmente da mesma marca, Louis Vuitton.

A Fifa realiza, a partir de amanhã, seu Congresso Anual no pior momento moral de seus 107 anos de história, mas nadando em dinheiro. Não apenas a eleição será realizada, mas os 208 integrantes chegarão para escutar que nunca a Fifa foi tão rica e que está sentada sobre US$ 1,2 bilhão (R$ 2 bilhões) em reservas. A explosão de lucros da entidade se nota no comportamento de seus dirigentes. Os 24 mandachuvas se hospedam em um hotel que, segundo o Estado apurou, cobra US$ 5,6 mil (R$ 9,2 mil) por semana de cada pessoa.

Nos diversos hotéis da cidade mais cara do mundo, cartolas faziam reuniões em cantos obscuros de lobbies. A ordem dos seguranças era clara: jornalistas não podem sequer se aproximar.

O ritmo de reuniões em cantos de salas dos hotéis entre os cartolas era quebrado apenas pela ida e vinda das mulheres de cada um deles, sempre repletas de sacolas. Seguranças privados faziam questão de barrar qualquer pessoa sem credencial.

O Estado presenciou uma conversa entre o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, com Bin Hammam, epicentro da crise na Fifa e um dos protagonistas de ontem (ele foi julgado e punido pelo Comitê de Ética). Pouco depois de iniciada a conversa, seguranças do hotel pediram que a reportagem abandonasse imediatamente o hotel.

O mesmo aconteceu com Jack Warner, outro cartola que foi suspenso do futebol em decisão do órgão controlado por seu adversário político, Joseph Blatter.

O presidente da Concacaf não disfarçava a tensão que vivia antes da audiência que acabou por selar a punição. Um de seus seguranças afastou a reportagem quando ela tentou falar com o cartola, um dos envolvidos em escândalos de corrupção.

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