EMA: bons passeios para quem desiste

O canadense Lawrence Foster iniciou a Expedição Mata Atlântica (EMA), a maior corrida de aventuras da América Latina, no último domingo, liderando a equipe Subaru Outback, considerada uma das favoritas. Já no início da prova - após os trechos de natação, catraia e trekking -, ele chegou a um posto de controle com pose de super-homem, abriu uma lata de atum com os dentes, ficou peladão na frente de todo o mundo e, ainda sem roupa, espreguiçou-se com um grito, debochado, como se quisesse dizer: sou forte e sei disso. No dia seguinte, quando a namorada Tricha Westman teve desidratação e hipotermia, a equipe abandonou a prova e Foster voltou à realidade. Agora parece calmo, muitas vezes tímido, "cuida" a todo momento de Tricha e até fez passeios turísticos, de ônibus."Participar dessas corridas é como fugir da realidade, esquecer o que acontece no mundo e viver uma aventura. Ter saído é frustrante também pelo fato de que volto à minha vida, caio na real", explicou Lawrence Foster, de 29 anos, que mora em Toronto.Como mágica, Foster deixou de ser aquele atleta viril, do corpo perfeito, o super-herói que comandaria a equipe por 550 quilômetros, no meio da mata, praticando esportes por dias ininterruptos, sem banho, sono, pouca comida e muita superação. Agora é um de nós. "Sou uma pessoa normal. E o lado bom de abandonar a prova é que senti isso de novo." Foster teve de trocar a aventura pelo acampamento principal da EMA.Ruim para quem veio com o propósito de terminar a corrida e entrenhar-se na floresta Amazônica, famosa no mundo inteiro. Ele diz que tem ciúmes quando vê as outras equipes chegando ao posto de controle, no mesmo acampamento, "hipnotizadas para chegar ao fim, superar os limites." Enquanto os sobreviventes desse rali humano (na verdade, desumano para o organismo) ainda têm pela frente 110 quilômetros de mountain bike e outros 80 quilômetros velejando, Foster e Tricha passarão a noite em um barco, junto com a imprensa e a organização. Do que disputou, Foster destacou o primeiro trecho, de natação, no rio Curuá-Una, um afluente do Amazonas. "Não porque é o maior rio do mundo em quantidade de água, mas porque quando olhei as margens, pensei que a vida começa na água. Aqui na Amazônia, o rio ainda tem outras funções importantes. Lava-se roupa, é por onde se deslocam as pessoas, toma-se banho, os animais bebem água...", afirmou ele.Foster também disse que achou interessante os quiosques de chão de terra, vigas de madeira e teto de palha, onde várias pessoas dormiam em redes, uma do lado da outra, com luz elétrica (para a prova foi puxado 13 quilômetros de fiação), comida quente (na mata, comem mais barras energéticas), tomavam banho em chuveiros, dentro de cubículos de madeira e sem teto (dá para ver a lua e as estrelas) e ainda podia nadar no rio Maicurú. A EMA deixa esse acampamento, de 12 mil metros quadrados, mas o governo transformará em uma pequena vila, com escola e posto médico.Passeio - Foster aproveitou o tempo livre para fazer turismo. Junto com jornalistas, pegou um ônibus, tipo circular, e viajou por duas horas para visitar cavernas, com pinturas rupestres, no parque arqueológico de Monte Alegre. "Achei fantástico porque sou geologista. Mas, gostaria de aprender mais sobre a fauna e a flora do local", observa o canadense, que tem uma empresa que organiza corridas de aventura no Canadá.O contato com pessoas do local foi mais que produtivo. Durante a viagem, por exemplo, o canadense parou na cidade de Canp (Colônia Agrícola Nacional do Pará), área do primeiro assentamento do Brasil, em 1927. "É um oásis no deserto, uma cidade tão pequena no meio do mato. Não acreditei." Comeu sorvete de açaí ("um pouco azedo, gosto mais doce, tipo chocolate") e pizza de queijo, além de ter tomado banho, no bar de Raimunda Ramos.

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