EMA justifica fama de rali humano

A constatação é de Clemar Corrêa, chefe da equipe médica da EMA, Expedição Mata Atlântica, que este ano foi disputada no Pólo Tapajós, região oeste do Pará: "A corrida de aventura é um esporte novo no Brasil e por isso ainda não registrou casos de óbito. Mas, infelizmente, é uma questão de tempo. O destino ainda não marcou esse esporte." Classifica como "loucos" aqueles que participam do "rali humano", com distância brutal, ininterrupta e em ambiente hostil. Mas, Corrêa, ex-velejador e lutador de karatê, confessa que quer disputar uma corrida de aventura.A quarta edição da EMA teve a quilometragem diminuída (de 550 para 450 km) e alguns trechos "amaciados". E mesmo assim, dos 48 times, apenas seis concluiram na categoria expedição - com trekking em mata fechada.De acordo com Corrêa, para agüentarem o pique desse tipo de prova, os atletas consomem muita cafeína. "Mas não posso afirmar que usam drogas proibidas, porque nunca vi." Admite, no entanto, que se fizessem exames anti-doping, muitos dariam positivo principalmente para anfetaminas. "O caminho para tornar-se olímpico é ter esse controle."Os problemas mais freqüentes foram desidratação (cada atleta consumiu de 15 a 20 litros de água por dia), hipertermia (aumento da temperatura do corpo por causa da dificuldade de trocar calor com o ambiente) e bolhas nos pés. O caso mais grave aconteceu com um membro da organização, que picado por uma vespa, teve choque anafilático, a glote inchou e quase morreu asfixiado."Quando volto ao HC (é diretor do Hospital das Clínicas), meus amigos ficam perplexos com o que conto. Acham absurdo, por exemplo, usar fita adesiva no pé machucado para diminuir o atrito", afirma Corrêa, chefe da equipe médica do Rali dos Sertões, integrante da Sociedade Internacional de Medicina Selvagem, médico do resgate do Corpo de Bombeiros, e professor da USP.

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