Marcos de Paula/AE
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Emerson, o 'Sheik': o herói das Arábias

Quando chegou, foi até olhado com desconfiança, pois se negou a beijar a camisa. Ontem, decidiu ao fazer o gol do título

Bruno Lousada, Sílvio Barsetti, Leonardo Maia / RIO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2010 | 00h00

Há dois anos, ele chegou ao futebol brasileiro desconhecido, sem alarde. Ninguém entendeu a princípio quem era aquele tal de Emerson que o Flamengo foi buscar no futebol dos Emirados Árabes. Naquela ocasião, ele se declarara torcedor rubro-negro de infância. Em 2010, porém, inscreveu seu nome na galeria dos grandes heróis da história do Fluminense.

O atacante chegou com a campanha vitoriosa em andamento e precisou superar o descontentamento com a torcida, que ainda relembrava de seu passado no rival. No primeiro treino com a camisa tricolor, ouviu desaforos dos torcedores. Respondeu baixinho: "Vocês ainda vão gritar muito o meu nome." E foi o que se viu ontem, no Engenhão, quando, aos 16 minutos do segundo tempo, Emerson venceu a retranca do Guarani para decidir o título. O atacante apelidado de Sheik, por sua passagem no Oriente Médio, será a partir de agora lembrado pelo gol que pôs fim a um jejum de 26 anos sem o título do Brasileiro.

"Eu me arrependi de ter respondido aquilo ao torcedor. Poderia ter me queimado de vez. Mas conquistei a torcida." Antes mesmo do jogo de ontem, Emerson já havia cativado os tricolores, desde sua estreia no time, no Engenhão, quando anotou o gol do empate (1a 1) no clássico com o Botafogo, em julho. E a boa fase continuou. Foram sete gols em nove partidas e a desconfiança se transformou em adoração.

Quando vivia a tal lua de mel com a massa tricolor, veio uma séria contusão muscular. Era justamente a partida contra o Guarani, no fim do primeiro turno. O Fluminense vencia por 1 a 0 e Emerson sentiu a coxa estourar. Depois de sua saída, o time bugrino virou e o Fluminense, a partir daquela derrota, emendou uma sequência ruim de resultados.

Aos poucos, o time foi se estruturando e voltou a vencer sem o Sheik. Com a sua ausência, até o centroavante Washington parou de fazer gols e amargou o longo jejum de 14 jogos sem marcar. Emerson voltaria contra o Botafogo, no returno, mas novamente se machucou. Desta vez, uma lesão no tornozelo o afastou de grande parte do segundo turno.

Idas e vindas ameaçaram seu retorno ainda este ano. Mas o jogador se esforçou e atuou contra Palmeiras e Guarani. Mal sabia Emerson que de seus pés sairiam o gol que entraria para a história do Tricolor. "Ao chegar, queriam que eu beijasse a camisa. Naquele momento, esse ato não seria verdadeiro. Posso dizer que tenho um sentimento muito grande pelo Fluminense."

Choveu forte ontem à noite no Rio e a festa da torcida tricolor, programada para o sambódromo, foi cancelada. Restou a grupos mais animados ocuparem bares da zona sul do Rio.

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