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Antero Greco
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Emoção lá e cá

Meu amigo, não sei se você curte carnaval. Se não se ligar em desfiles de escolas de samba, cordões, bailes e coisas do gênero, tem um programa e tanto já nesta terça-feira gorda. Como o futebol não para, começa a 55ª edição da Copa Libertadores da América, o sonho de qualquer time brasileiro. E volta também a Copa dos Campeões, para os mais finos a Champions League, na etapa de eliminação direta e só com peixe graúdo.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 02h03

Os torneios opõem dois universos do mesmo esporte e que costumam se encontrar no fim do ano, no tira-teima do Mundial de Clubes. Sei que é chover no molhado encher a bola da Champions e espinafrar a Libertadores. Os europeus aprimoram o campeonato deles a cada temporada, e os participantes ganham projeção e rios de dinheiro. Por aqui, entra ano, sai ano e erros antigos se repetem. Até aí estamos carecas de saber.

Não importa se um é o primo rico e o outro, o pobre. Cada um a sua maneira atrai interesse do público, desencadeia expectativa, provoca emoção, estimula a superação dos concorrentes. Gosto da Champions e sei que a meninada se liga cada vez mais nos clubes de lá. Natural que seja assim, porque Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Chelsea, Bayern de Munique e outros reúnem o que há de melhor. É razoável e fácil gostar de coisa chique,

Ainda assim ouso nadar contra a maré, pois vejo na Libertadores uma enorme fonte de satisfação. Com todas as lambanças que há, a briga de vizinhos sul-americanos, fora os convidados mexicanos, mexe comigo, ativa a adrenalina. Um grande barato ganhar de argentinos e uruguaios, por exemplo, e me comovem os duelos caseiros, como aqueles que farão São Paulo e Corinthians, a partir de amanhã. Vibro a valer quando um brasileiro é campeão.

Apesar da fase seca de 2014, o bloco verde-amarelo deste ano inspira confiança. Além dos paulistas, Cruzeiro, Atlético-MG e Inter entram em condições de desempenhar papel de protagonistas. Daí a dizer que são favoritos vai distância. No entanto, se seguirem planejamento sensato e não se acomodarem, não é fora de propósito afirmar que haverá brasileiro na decisão.

Vida longa à Libertadores e à América do Sul. Se bem que poderia ter um pouco da organização da Champions, sem perder o calor e a simpatia locais.

Fartura. Nada como um técnico ter alternativas à disposição. Pode até dar esnobada a respeito de escalação. Mais ou menos foi o que fez Oswaldo de Oliveira, depois do 1 a 0 do Palmeiras sobre o São Bento, na noite de sábado. Ele elogiou o comportamento da equipe e deu a entender que Arouca e Valdivia terão de desdobrar-se para garantir vaga entre os titulares.

Ambos, na teoria, são estrelas do renovado e inflado elenco para 2015, mas ainda não puseram os pés em campo. Arouca, por ter chegado recentemente do Santos; Valdivia, por estar em recuperação da enésima contusão. Evidente que a intenção de Oswaldo é a de não desestimular quem tem ralado no início de temporada. Ao mesmo tempo, trata de provocar os dois figurões. O sucesso da estratégia está nos resultados. Enquanto o Palmeiras vencer, o chefe da trupe poderá driblar pressão - e caras feias - e escolher quem bem entender.

Bola fora. Felipão tem prestígio, experiência e títulos. Mas algo anda errado nos últimos tempos, com oscilações bruscas. Foi assim no Palmeiras e na seleção, ao variar entre conquistas e apertos históricos, O Grêmio surgiu-lhe, no segundo semestre, como âncora após o Mundial e agora tende a transformar-se em mico. O clube enfiou o pé na lama depois de investimentos mal feitos em diversos jogadores. Para equilibrar o caixa, abriu mão das estrelas e deixou ao técnico um elenco mediano. Para complicar, o time não engrena no Gauchão, perde até para o lanterna e a torcida já mostra impaciência. Felipão tem moral entre tricolores. No entanto, não custa nada botar o bigode de molho...

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