Empate agrada a lusos e brasileiros

Antes mesmo de começar a partida, as torcidas de Brasil e Portugal, reunidas na Casa de Portugal, estavam em festa, como se previssem o resultado final, que classificou as duas equipes. Os torcedores nem sequer pareciam adversários. A maioria queria o empate. "Pelos dois times, 1 a 1 está bom. É uma família só", comentou o português Altino Val Pereira, que há 57 anos mora no Brasil, mas passou a tradição do fado para os netos.

Ana Paula Garrido e Bruno Lousada, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2010 | 00h00

Por falar em música, a "competição" entre as danças típicas de cada país também terminou empatada. Os grupos de samba e fado se revezavam e davam chance dos dançarinos de cada lado arriscar uns passos da outra coreografia. "É mais fácil sambar. No fado demora um pouco para pegar o jeito", admitiu Ana Ester Muralha, que participou 8 anos do grupo folclórico português.

Apesar do clima tranquilo, haviam aqueles mais fanáticos, que não gostaram da presença de adversários na casa deles e chegaram a apostar em goleada para o time de Cristiano Ronaldo. "Vai ser 7 a0. Gostei da brincadeira e agora se fizer menos, vou achar estranho", brincou Marcos Luiz Pereira, nascido no Brasil, mas apaixonado por Portugal.

Os visitantes, devidamente trajados de verde e amarelo, preferiram ficar num cantinho, convictos, porém, na vitória -2 a 1 era o placar mais cogitado. "O importante é que no final vai dar samba", disse Alessandro Prata.

Ao apito inicial, todos pareciam uma mesma torcida, apesar da mistura de lenços portugueses e bonés verde-amarelos.

No segundo tempo, o jogo entre as torcidas virou. Empolgados com a disputa acirrada no campo, portugueses e brasileiros deixaram de lado a amizade inicial e queriam a vitória. Coros e gritos de guerra surgiram e o clima pegou fogo. No final, todos comemoraram. No entanto, ninguém previu que terminasse em 0 a 0. "Só faltou o gol. Queria ver qual seria a reação", disse Renata Afonso.

No Rio, harmonia. Uma festa com direito à sardinha frita, bolinho de bacalhau, vinho e cerveja. A animação no Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara (Cadeg), em Benfica (zona norte), contrastou com a apatia do jogo do Brasil. "Foi melhor (o empate) do que levar um baile. Está de bom tamanho", disse o português Antônio Araújo, que mora na França e veio ao Brasil para visitar a família.

Apesar de a partida não ter entusiasmado, após o apito final, o público aplaudiu a seleção brasileira. Em Copacabana, na Arena Fifa Fan Fest, a maioria das quase 20 mil pessoas preferiu ver a apresentação dos aviões da Esquadrilha da Fumaça enquanto tomava banho de mar.

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