Empate sem gols coloca São Paulo na decisão

Torcida tricolor lotou o Morumbi no jogo contra a Universidad Católica. O clube não disputava uma final desde 2006

FERNANDO FARO, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h05

Se Lucas fez ontem sua última partida no Morumbi só será possível saber depois do jogo de hoje entre Millonarios e Tigre (se os argentinos passarem, o Tricolor fará o jogo de volta no Morumbi, no dia 12. Caso contrário, a decisão começará no Pacaembu, no dia 5), mas, se foi sua despedida, ele não terá do que reclamar. O São Paulo mais uma vez aproveitou o regulamento e com um empate por 0 a 0 com a Universidad Católica se garantiu na final da Copa Sul-Americana - o primeiro jogo foi 1 a 1. É a primeira decisão do clube desde a Recopa de 2006 e também a estreia em finais da competição.

O clima de festa foi grande desde antes de a bola rolar. A torcida mais uma vez fez sua parte e encheu o estádio para empurrar o time. Foram mais de 55 mil presentes no Morumbi, que ovacionaram o garoto que está de saída para o Paris Saint-Germain e foram ao delírio tão logo a partida terminou. Eles estavam animados por causa das últimas boas apresentações em casa e da perspectiva de uma vitória confortável após a boa apresentação em Santiago, que só não foi premiada com a vitória por causa da falta de pontaria dos atacantes, problema também verificado no primeiro tempo do duelo de volta.

Luis Fabiano, com menos de um minuto, mandou uma bomba no peito de Toselli, que ainda viria a trabalhar com eficiência para evitar gols em uma nova jogada do atacante e em finalizações de Jadson (que ainda mandou para fora a melhor chance dos 45 minutos iniciais) e Rogério Ceni, em cobrança de falta. A Católica, que adiantou a linha de marcação para pressionar a saída de bola, ameaçou apenas nos contra-ataques e concentrou boa parte do seu jogo em distribuir pontapés e apelar para a famigerada catimba. Lucas, como de praxe, foi o alvo preferido.

Só que mesmo tendo um elenco experiente, que deveria estar preparado para esse tipo de situação, o Tricolor ficou nervoso, colecionou cartões tolos e por vezes deixou de jogar para reclamar do árbitro Juan Soto, que fez jus à escola sul-americana e deixou a partida correr solta. Mesmo que o venezuelano tenha errado em alguns lances, não dá para dizer que ele tenha merecido tanta preocupação dos atletas e da torcida. Se tivesse mais tranquilidade, talvez o São Paulo tivesse arrancado uma expulsão dos adversários.

Cansada das chances perdidas por Jadson e da incapacidade do time de resolver a partida, a torcida passou a pedir a entrada de Ganso - e só foi atendida aos 33 do segundo tempo. A Católica desistiu de se defender e se lançou ao ataque para jogar por uma única bola, mas encontrou pela frente um adversário que não deu espaços para o que seria um desastre e foi sempre seguro. Não que a dose de drama não tenha aparecido nos minutos finais, quando até mesmo Toselli deixou seu gol para tentar a sorte na área são-paulina. Assim que o árbitro encerrou o jogo, o clima de catarse tomou conta do estádio. Lucas se ajoelhou e tentou controlar a emoção, jogadores se abraçaram e a torcida chacoalhou as estruturas cantando o hino. Delírio por todos os lados.

Para Lucas, agora resta torcer pelo Tigre para ter uma chance derradeira de atuar no Morumbi. Pelo menos metade do roteiro ideal de despedida está sendo cumprido, afinal de contas o São Paulo está na decisão da Copa Sul-Americana.

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