Empresa investe em competição escolar

A multinacional suíça Nestlé decidiu inovar em matéria de marketing esportivo no Brasil. Em vez de investir milhões em um ou outro atleta ou comprar cotas de patrocínio de jogos - já apoiou equipes competitivas de basquete e vôlei feminino -, a fabricante do Nescau e do Leite Ninho, decidiu aplicar R$ 5 milhões numa competição intercolegial para alunos do ensino médio de escolas públicas e privadas nas capitais dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.A intenção da empresa com o 1ª Vibração Nestlé é envolver 26 mil alunos de 2 mil escolas entre os meses de abril e outubro, quando a competição chega ao fim. Para estimular os jovens atletas, a campanha terá as assinaturas da campeã mundial de basquete Paula, de Raí, ex-jogador de futebol, de Giovane, da seleção brasileira de vôlei e medalha de ouro na Olimpíada de Barcelona, em 1992, e do judoca Aurélio Miguel, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. O objetivo é associar a marca a futuros campeões, criando condições para que crianças pobres consigam desenvolver-se no esporte.Para desenhar o projeto com o qual dará continuidade à campanha "Nestlé, 80 anos de Brasil", a multinacional contratou a ALL-E, a empresa de marketing esportivo e entretenimento do Grupo Total, de Eduardo Fischer, para fazer uma pesquisa de mercado que pudesse ligar as marcas da Nestlé a modalidades esportivas e organizar a grade da programação.A ALL-E, que tem Hortência Marcari, também campeã mundial de basquete, Dora Kaufman e Carlos Perrone no comando, optou por 11 modalidades, de forma a atingir todos os jovens. Alguns dos produtos da Nestlé darão nome às competições. Assim, o skate e o bicicross levarão a assinatura do Nescau, mais identificado com o público que gosta de esportes radicais. PowerBar assina as disputas de atletismo; Neston, o judô; Crunch, o basquete e o handebol; Bliss, o vôlei; Vitalife, o tênis de mesa; Sorvetes Nestlé, a natação; e Negresco, o futsal e o futebol de campo.A Nestlé não esconde que, com o investimento para descobrir novos talentos no esporte brasileiro, ancorado por medalhistas olímpicos - como Paula, Giovane e Aurélio Miguel - e um jogador de futebol que hoje se dedica a projetos para crianças carentes, pretende passar a imagem de empresa-cidadã, aquela que, além de vender seus produtos, também espera ser bem-vista pelos consumidores.A ALL-E apresentou à multinacional cálculos que garantem o bom retorno desse tipo de investimento. Ao envolver 26 mil alunos e 2 mil escolas, a Nestlé estará atingindo 5 milhões de brasileiros pela multiplicação de informação. Se 26 mil alunos contarem a idéia a pelo menos cinco pessoas, os atingidos pela estratégia serão 130 mil. Nas 2 mil escolas, 1,1 milhão de alunos do ensino médio podem ser atletas em potencial ou torcedores. Outro 1,1 milhão de alunos do ensino fundamental serão atingidos pela divulgação do torneio nas escolas. Há, ainda, os familiares dos 2,2 milhões de estudantes nas três capitais: São Paulo, Rio e Belo Horizonte.

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