JR Diorio/Estadão
JR Diorio/Estadão

Empresa que influenciou na demissão de Valcke em 2006 renova com a Fifa

Secretário-geral da Fifa foi acusado pela MasterCard de beneficiar a Visa em contrato de exclusividade

O Estado de S. Paulo, Enviado Especial - Jamil Chade

14 de janeiro de 2014 | 11h41

ZURIQUE - A empresa que esteve no centro da polêmica que gerou a demissão de Jerome Valcke da Fifa em 2006 agora estende seu contrato comercial com a entidade máxima do futebol até 2022, e justamente com o francês agora como o número 2 na entidade. Nesta terça-feira, a Fifa e a Visa anunciaram que a parceria irá vigorar até "pelo menos 2022".

A empresa passou a ser a patrocinadora da entidade máxima do futebol em 2007, depois que Valcke abriu uma verdadeira crise nos tribunais, rompeu o acordo com a MasterCard e acabou sendo multado pela Justiça americana em US$ 60 milhões. A Visa passou a ter exclusividade nas Copas do Mundo e todos os eventos da Fifa.

Em 2002, Valcke seria contratado pela Fifa como diretor de Marketing. O francês, porém, deu preferência à VISA em negociações e conseguiu derrubar o acordo que existia com a MasterCard. A empresa levou a Fifa aos tribunais nos Estados Unidos e conseguiu uma indenização de US$ 60 milhões.

Para a corte americana, Valcke “mentiu repetidamente” nas negociações. “O diretor de Marketing da Fifa mentiu tanto para a MasterCard, parceiro de longa data da Fifa, e para a Visa”, declarou a condenação do tribunal, em documento obtido pelo Estado.

No mesmo momento em que Valcke foi condenado em 2006, a Fifa imediatamente publicou um comunicado admitindo que funcionários da entidade “foram acusados de desonestidade repetida durante as negociações e de dar informações falsas às instâncias da Fifa”. No comunicado, a entidade admite que houve uma violação de “princípios” e que quatro funcionários, entre eles Valcke, seria afastados. «A Fifa não pode aceitar tal conduta entre seus próprios empregados », disse.

"Estamos determinados a agir de forma ética", disse. Valcke admitiria à corte que ele mentiu ao vice-presidente da VISA, Tom Shepard, ao dizer que Blatter queria que a empresa obtivesse o acordo de patrocínio.

 

MISTÉRIO

Mas a crítica pública da Fifa não passava de um teatro bem organizado. Mesmo tendo custado à Fifa US$ 60 milhões e ter sido publicamente repreendido, Valcke misteriosamente voltaria para a entidade no ano seguinte, justamente no momento que o Brasil seria escolhido para sediar a Copa de 2014.

Não seria qualquer volta. O francês havia sido aprovado pelo Comitê Executivo da entidade para o cargo de secretário-geral da Fifa, a pessoa que na prática toca o dia-dia da entidade e organiza as Copas do Mundo.

Ontem, nenhum sinal da crise. "Estamos muito felizes de ter chegado a esse acordo com nosso parceiro", disse Joseph Blatter. "Visa não poderia estar mais excitada em estender nossa relação com a Fifa", disse o brasileiro Ricardo Fort, responsável da empresa. 

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