Empresário de Schumi blefou para ele estrear

Willi Weber convenceu a Jordan que seu pupilo era um especialista na pista de Spa. Alemão só havia andado por lá de bicicleta

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

Boa parte dos que gostam de Fórmula 1 sabe que Michael Schumacher estreou no GP da Bélgica de 1991, porque o piloto de Luxemburgo, que corria com licença belga e francesa, Bertrand Gachot, foi preso: usou spray de gás lacrimogêneo na face de um motorista de táxi, em Londres, durante uma briga. A vaga na equipe Jordan ficou livre.

Poucos sabem que o empresário de Schumacher, o alemão Willi Weber, convenceu Eddie Jordan a aceitá-lo "por ser um especialista" nos 6.940 metros, extensão da época, do circuito de Spa. "Na realidade o máximo que Michel havia feito em Spa fora umas voltas de bicicleta", contou depois Weber.

Durante o GP do Japão de 1996, Eddie Jordan contou ao Estado várias passagens daquele fim de semana. "Eu e Ian sabíamos que com nosso orçamento não terminaríamos a nossa primeira temporada na Fórmula 1, em 1991", lembrou. Ian Phillips era seu diretor comercial. "Fazíamos economia de guerra. No GP de estreia de Michael no nosso time dormimos num albergue. O problema é que eu e Ian tivemos de compartilhar uma cama de casal", disse, rindo, como bom irlandês. "Mas dormi com a cabeça virada para os pés de Ian."

Schumacher escreveu na sua coluna no semanal alemão Auto Motor und Sport, recentemente, ter estranhado o albergue. "Achei que a Fórmula 1 fosse diferente." E publicou ter sinalizado a Jordan o problema no sistema de embreagem que o fez abandonar logo depois da largada. "Eddie disse que custaria muito dinheiro trocar a embreagem."

A Mercedes, para quem Schumacher, com 22 anos, competia no Mundial de Protótipos, pagou R$ 370 mil para Eddie Jordan tê-lo na equipe na Bélgica. Apesar do abandono precoce, o 7.º tempo no grid levou Flavio Briatore, diretor da Benetton, a contratá-lo para a etapa seguinte, o GP da Itália, e dispensar o brasileiro Roberto Moreno.

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