Empresário quer ser campeão mundial

De uma hora para a outra, o boxe se elitizou. Deixou, temporariamente, o Baby Barioni, na zona oeste, para se refugiar sábado passado no bem bom do Hotel Unique, o luxuoso cinco estrelas da zona sul. E isso tudo sem milagre algum, apenas porque um lutador de 35 anos, empresário, rico e influente, resolveu virar campeão mundial. Absurdo? Pode parecer, mas empresas fortes como Oi, TAM e Unique estão apostando no sucesso da idéia. No boxe ele é conhecido como Marinho, meio pesado com 7 lutas, 7 vitórias, 5 por nocaute, e, ele aposta nisso, futuro desafiante ao título mundial contra Roy Jones Jr. (caso ele se mantenha campeão da Confederação Mundial de Boxe até o segundo semestre de 2005). No meio empresarial, entretanto, atende pelo nome de Mário Soares, economista pós-graduado em marketing no início da década de 90 e proprietário, em sociedade com Daniel Berlinck, do Grupo MD, com oito empresas no eixo Rio-São Paulo nas área de segurança, transporte público e mídia, incluindo duas academias em bairros nobres da capital paulista. Para chegar à disputa dos meio-pesados, Marinho definiu uma estratégia ao lado de Jonas Siaulys, proprietário do Hotel Unique. Conheceu Jonas num curso de inglês para estrangeiros em San Diego, em 1985, e desde então tornaram-se amigos. O contato com os outros patrocinadores se deu através de uma colega da DBE Produções e Eventos, organizadora da noitada. Mesmo estando desde 2001 sem subir ao ringue, Soares planejou que em 15 lutas estaria apto a buscar o cinturão - iniciou o desafio em dezembro de 2003. "E também, quanto mais combates você tem no cartel, maior é a bolsa na hora de desafiar o campeão." Sua intenção é que sua bolsa supere US$ 1 milhão, mas acredita poder chegar até a US$ 3 milhões. Na ponta do lápis: por noitada de boxe, como a que ocorreu sábado, gasta-se cerca de R$ 300 mil reais. O Unique e a Oi, operadora de telefonia celular, bancam cerca de 80% dos custos. Mário Soares tira do próprio bolso R$ 40 mil por combate e, descontando o que recebe dos patrocinadores, ainda assim paga para lutar. "Na primeira noite, em dezembro, tive um prejuízo de R$ 7 mil." Apesar disso, está tudo dentro do esperado. A cobertura da imprensa ainda é incipiente, mas Soares já vê os primeiros indícios de retorno do investimento. "A BandSports (que transmite os combates a convite da Oi) está reprisando várias vezes as lutas por causa da audiência que vem tendo." E a mídia gratuita, de acordo com ele, também vem sendo bem satisfatória. "Outra coisa: só por causa desse evento de hoje (sábado), o Unique ocupou 40 apartamentos. E é por causa da ocupação dos hotéis que o boxe dá certo em Las Vegas", explica. Marinho venceu Diosmel Anaya, campeão colombiano da categoria, no sábado. No total foram 8 combates. Ele volta ao ringue dia 30 de março, contra Fábio Garrido, campeão nacional pela Confederação Brasileira de Boxe Profissional. "Vou disputar o título do mundo em Las Vegas com certeza", garante.

Agencia Estado,

27 de janeiro de 2004 | 09h02

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