Encerrando o ano

Esta época de lojas abarrotadas de gente, carros parados no trânsito, grandes mesas de comemoração em restaurantes e pancadas de chuva ao final de cada dia em São Paulo é aquela em que nós passamos dias e noites juntos numa redação para fechar as 450 páginas do anuário AutoMotor. Esta rotina se repete há exatos 20 anos e continua sendo, ao longo de cada ano, ansiosamente esperada por todos os que fazem parte desse grupo. Somos pessoas que vivem o esporte a motor no dia a dia, e ver uma nova edição na gráfica pronta para ser finalizada é a nossa maior confraternização.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h05

O trabalho de cada anuário começa, de fato, junto com a temporada das corridas. Fórmula 1, Indy, Stock Car, GT3, competições de carros de turismo, fórmulas, karts, motos, um total de 47 categorias espalhadas pelo mundo abrem seus campeonatos em março e encerram em novembro, sendo que no Brasil elas se estendem até dezembro. E nós vamos juntos, colecionando dados, histórias e fotos de todas elas. O objetivo é que tudo isso ganhe um enredo muito bem contado ao final do ano nas histórias que compõem o anuário.

O leitor que folhear uma edição antiga do AutoMotor - algumas delas raríssimas e cobiçadas por colecionadores - vai se lembrar dos fatos como se estivesse revivendo a época. A idéia sempre foi registrar cada momento valorizando personagens e bastidores, e tudo relatado, em texto e fotos, como parte de um enredo. É isso que faz cada exemplar do livro parecer tão atual, mesmo dez, quinze ou vinte anos depois. É o que o diferencia dos outros anuários produzidos na Europa e nos Estados Unidos. Fonte de consulta e item de coleção, como os outros, mas trazendo a história ao alcance das mãos.

O 20.º aniversário torna esta edição especial. Mas o nosso pequeno grupo reunido tem este ano algo ainda mais forte para tornar este momento muito especial. Quando estávamos entrando nas últimas voltas de mais esta corrida, nós perdemos um companheiro. Exatamente aquele responsável pela criação gráfica dos últimos dez anos, incluindo o desta edição. O que estamos fazendo agora é levar o carro até a bandeirada final, seguindo os traços desenhados pelo Luiz Vicente, mas sem a presença dele. Este AutoMotor 20 Anos foi a última criação do Luiz nesta vida, e foi nisso que encontramos forças para nos reunirmos em torno da mesa dele para dar sequência ao trabalho que ele deixou pronto pra ser executado pelo grupo ao qual pertenceu com muito orgulho.

Foi o Luiz quem me chamou a atenção para a importância que o AutoMotor havia adquirido ao longo da sua história, mostrando que o número 259 da Rua Coronel Joaquim Fereira Lobo (nosso endereço mais tradicional em São Paulo) era emblemático para toda uma geração de novos jornalistas que nasceram para a profissão depois da criação do AutoMotor. Uma lição de autoestima que aprendi com este bom amigo que se foi muito antes da hora. Isso nos ensinou também que a vida pode ser dura e cruel. Mas estamos aqui para vivê-la. Na medida do possível, fazendo apenas o que a gente gosta de fazer. Assim vale a pena. O resto é mera obrigação.

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