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Antero Greco
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Encontro com a história

Quando o futebol brasileiro era temido, respeitado, invejado, copiado, e a meninada nem tinha ideia de se interessar por Barcelona, Bayern, Chelsea, Manchester, ou outros clubes gringos, dois dos times mais fortes e populares daqui eram Santos e Palmeiras. Um por ser sinônimo de seleção e ter um tal Pelé, o Rei, como astro principal. Outra por colecionar craques refinados, sob comando de um certo Ademir da Guia, também conhecido pela alcunha de Divino.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2015 | 02h04

Não eram só os dois. A galeria de virtuoses teve Gilmar, Lima, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho, Dorval, Pagão, Toninho Guerreiro, Pepe, Calvet, Almir Pernambuquinho com cores alvinegras, Ou Valdir, Picasso, Djalma Santos, Dilma Dias, Valdemar Carabina, Dudu, Zequinha, Julinho, César, Vavá, Leão, Luís Pereira, Leivinha, Nei, César Maluco com as alviverdes. Vários estiveram em ambos os lados da trincheira. Era gente que tratava a bola com intimidade. Palmeiras x Santos era duelo de respeito.

No período que vai de meados dos anos 50 a pouco mais de metade da década de 70 do século passado, santistas e palmeirenses dividiriam títulos regionais e nacionais. Botafogo e Cruzeiro também aprontavam das suas. Não foi por acaso que, nessa época, três vezes a Jules Rimet, ou a antiga e derretida Taça do Mundo, veio pra cá.

Os confrontos de hoje e do próximo domingo servirão como resgate dos tempos de ouro do futebol nacional. Vá lá que hoje Palmeiras e Santos não tenham craques do gabarito da turma de outrora - e não se trata de saudosismo, mas de constatação provocada por circunstâncias. Seria lindo, por exemplo, ver ainda Neymar ao lado de Robinho. Mas o poder de convencimento dos europeus, com seus euros e organização, é irresistível e os jovens saem.

O empobrecimento não tira o brilho, o encanto, o fascínio do Clássico da Saudade. Não há por que diminuir a importância do título paulista. Pergunte a torcedores de um dos finalistas se não festejaram a conquista da taça. Veja que resposta darão. Note como ficou decepcionado o corintiano por ver a queda diante do Palmeiras. Ou a frustração do são-paulino. (A propósito: Paolo Guerrero desdenhou da decisão doméstica, em clara demonstração de desconhecimento do peso da tradição de santistas e palmeirenses. O peruano sabe de nada, inocente...)

Vantagem para uma das frentes? Não. A turma de Oswaldo de Oliveira e a de Marcelo Fernandes chegam em condições iguais. Ambas partiram um degrau atrás dos rivais eliminados. Santos e Palmeiras viveram reconstrução, na virada de 2014 para 2015, enquanto São Paulo e Corinthians preparavam-se, animados, para disputar a Libertadores. Nobre (Paulo) e Modesto (Roma) deram piruetas para recompor elencos. Um contratou 20, outro viu diversos titulares irem embora por não concordarem com a política financeira ou por reclamarem de pagamentos.

O crescimento ocorreu durante a etapa de classificação. O Santos correu por fora, com jovens e veteranos; o Palmeiras encaixou um aqui, outro ali até tomar forma. Santistas têm vocação maior para o ataque (34 gols a favor, contra 26 dos verdes). Palmeirenses mostram ínfima diferença na defesa (12 gols sofridos, ante 13 dos alvinegros). Há semelhanças demais entre os remanescentes da maratona com 20 concorrentes.

Cabe ao anfitrião palestrino ousar, porque em seguida visitará a Vila. Oswaldo não contará com Valdivia (salvo milagre de última hora), mas aposta em Robinho, Cleiton Xavier, Dudu, Rafael Marques e o jovem Gabriel Jesus. Na defesa, tem a segurança de Prass e o retorno de Zé Roberto, motivador e guia, que conhece o Santos, assim como Arouca, agora um dos pilares da marcação.

Marcelo e o escudeiro Serginho Chulapa têm Lucas Lima e Geuvânio como motorzinhos de criação, Ricardo Oliveira como artilheiro, Renato como a voz da experiência. A interrogação? Robinho. Monotonia não entrará em campo.

Assista e aprenda, Guerrero.

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