Encontro de gerações na Vila

Neymar, astro em ascensão no líder Santos, desafia a experiência de Marcos, ídolo do instável Palmeiras

Daniel Akstein Batista e Sanches Filho, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2010 | 00h00

A história de Marcos já foi escrita. Com glórias, conquistas e idolatria. Neymar ainda rabisca seus primeiros capítulos no futebol e, ao que tudo indica, também pode ser repleta de sucesso. A Vila Belmiro, um cenário em que muitos craques já deixaram sua marca, terá em seu gramado hoje, a partir das 17 horas, um encontro de gerações. O jovem santista, com um futuro promissor, tenta manter a invencibilidade de 12 jogos do seu time, mais conhecido ultimamente pelos shows que tem dado em campo. Já o goleiro palmeirense, perto de encerrar a carreira, busca levar sua contestada equipe para mais perto do G-4 do Estadual.

Marcos tem contrato com o Palmeiras até o fim de 2014. Pelo acordo atual, jogaria até dezembro de 2011 e depois atuaria ou na comissão técnica ou teria algum cargo na diretoria. Os planos iniciais, porém, devem mudar, e ele já cogitou atuar por apenas mais nove meses. A derrota por 3 a 1 para o Santo André, há 11 dias, foi o limite para o experiente goleiro. "O sofrimento da torcida comigo vai acabar em dezembro", chegou a dizer na saída, após falhar em um dos gols.

Aos 36 anos, Marcos coleciona troféus na sua casa. Entre eles, a glória de ter sido campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002 e da Taça Libertadores de 1999 com o Palmeiras. Em toda sua carreira, nunca abandonou o time do coração e, quando parar de jogar, deve ganhar um busto no Palestra Itália. Além, claro, da saudade que vai deixar em muitos palmeirenses.

O jovem Neymar, atacante magricela, cabelos ao estilo moicano e sorriso prateado, tenta fazer hoje o seu segundo gol em Marcos. Nas três vezes em que enfrentou o Palmeiras, foi feliz nas semifinais do Estadual de 2009 (quando deixou sua marca no jogo de ida, realizado na Vila Belmiro) e depois perdeu no Campeonato Brasileiro.

Desde o início da temporada, Neymar tem sido decisivo e vem provando que é quase um craque pronto. Em alguns momentos, ele mostra a frieza de veterano. Marcos, este sim experiente, faz o caminho inverso e mostra uma vontade de quem está começando na profissão - é um dos que mais se irrita quando o Palmeiras perde. Sua fase, entretanto, não é das melhores. Se em alguns momentos justifica a fama de santo que ganhou, em outros falha e deixa a torcida palmeirense atônita. Por isso, o seu desejo em parar.

Início. O ano de 1992 é marcante para os dois atletas. Três meses antes de Marcos fazer seu primeiro jogo no time profissional do Palmeiras, nascia em Mogi das Cruzes Neymar da Silva Santos Júnior, o futuro sucessor de Robinho, hoje um dos astros da Vila e com um salário mensal de mais de R$ 150 mil, quase metade do que o palmeirense recebe.

Em 16 de maio de 18 anos atrás, o cabeludo Marcos fechava o gol do Palmeiras na vitória por 4 a 0 em amistoso contra a Esportiva de Guaratinguetá. As temporadas passaram, o goleiro ganhou títulos, o status de santo e fãs em todo o Brasil. Agora, até dezembro, fica a expectativa para saber se o "são" Marcos vai mesmo pendurar suas luvas.

Já Neymar ainda engatinha no futebol. Mas com tudo o que mostrou desde que estreou no profissional do Santos, no ano passado, seu futuro promete. Hoje, santista e palmeirense estarão frente a frente. Para o bem do futebol.

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