Encontro dos senhores finalistas

Tite e Felipão, ligados na decisão da Libertadores e da Copa do Brasil, embalam clássico esvaziado entre Corinthians e Palmeiras hoje no Pacaembu

DANIEL AKSTEIN BATISTA, FÁBIO HECICO, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h06

De um lado, o Corinthians com a cabeça na final da Libertadores. Do outro, o Palmeiras e seu pensamento na conquista da Copa do Brasil. O clássico de maior rivalidade no Estado, que já teve batalhas épicas, decisões de títulos e até episódios quentes, hoje vale mais para ver o poderio de seus treinadores, a capacidade de Tite e Felipão de como surpreender num jogo importante com equipes alternativas.

A partir das 16h, no Pacaembu, dois times que estão a dois passos de dar volta olímpica em seus objetivos principais no ano tentam a primeira vitória no Campeonato Brasileiro e um respiro na luta para deixar a zona de perigo.

Com sua escalação reserva que não mete medo em ninguém, acostumada a perder neste Nacional, mas reforçada pela volta de Paulo André na defesa e Liedson ao ataque, Tite espera repetir a façanha do Paulista, no qual bateu o rival por 2 a 1 e fez festa.

Vencer se faz necessário para acabar com as piadinhas, cada vez em tom mais forte de que o time, na lanterna, "voltará para a Série B". O dissabor de jogar a Segundona aconteceu em 2008.

"Vamos brigar para colocar o Corinthians onde ele merece, que é na parte de cima da tabela. Confio nessa equipe e está na hora de vencermos", afirma Tite.

Até agora, os reservas apanharam três vezes e não fizeram nenhum gol.

No reencontro dele com o amigo que virou inimigo após bate boca em maio de 2011 (episódio do "fala muito") e que voltou a ser amigo no fim do ano passado, ambos estarão pressionados por resultado positivo. Tite para deixar a rabeira, Felipão para também sair da zona de rebaixamento.

Ao mesmo tempo, eles entram em campo aliviados e radiando felicidade por levarem suas equipes às finais após passarem por times da grandeza de Santos e Grêmio, respectivamente, no meio de semana.

Além de um feito que nenhum treinador consegue há 12 anos, o de levar o Palmeiras a uma final de competição nacional, Felipão também dá a volta por cima após sofrer várias críticas desde que voltou ao Palmeiras.

"As pessoas que ficam me cobrando ou avaliando meu trabalho, criticam bem menos do que eu me critico", avisou. "Quando eu vim em 2010, a intenção era melhorar o time e disputar títulos, e só consegui isso agora. O resto não andava como eu esperava", declarou, satisfeito com a equipe. "Alguma melhora vem acontecendo no nosso time e temos que parabenizar os jogadores."

Neste Brasileiro, Felipão ainda não conseguiu arrumar o time e só conquistou dois pontos em cinco jogos. Uma vitória sobre o rival, claro, é sempre bom, mas Felipão e Tite sabem muito bem que um revés hoje não será motivo de crise.

A escalação dos reservas tem total apoio da direção, o que tranquiliza Tite em caso de nova derrota. "Se eles disserem que é para pôr força máxima, todos jogam", chegou a brincar o treinador, sobre a rivalidade histórica entre os clubes, que desta vez será deixada de lado por metas maiores.

Valerá, contudo, pelo ego pessoal dos comandantes. Desde a briga, que garantem superada, ninguém admite perder para o outro. Se os times buscarem apenas chance no grupo para a sequência do ano, eles entrarão com sangue nos olhos como se estivessem decidindo algo.

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