Enfim, 100

Valência trouxe sorte para Rubinho, para todos os brasileiros e pra mim em especial. Consegui não apenas ver, mas conversar com o meu maior ídolo Eric Clapton (e fazer uma foto, claro). Reencontrei o amigo Jo Ramirez, com quem venho há algum tempo conversando sobre editar no Brasil o grande livro que ele escreveu sobre seus 40 anos na Fórmula 1. E ainda posso somar aos importantes momentos vividos na F-1 este da 100ª vitória brasileira. Não vi a primeira, mas vi quase todas as outras 99. Aliás, a música e a percussão, duas paixões particulares, marcaram a semana, porque no domingo anterior eu havia sentido a honra de tocar em um ensaio do Olodum em Salvador, a convite do amigo João Jorge, presidente desta entidade que presta assistência social a tanta gente necessitada graças à arte inigualável que atraiu a atenção de Paul Simon, Michael Jackson e outros gênios da música. Um momento inesquecível pra mim, até pelas bolhas estouradas nas minhas mãos de amador. O Brasil é o terceiro nesse clube das 100 vitórias. O Reino Unido da Grã-Bretanha soma 206, mas incluindo as conquistas de ingleses, escoceses, e irlandeses, todos inscritos na FIA como britânicos. De qualquer forma, a grande maioria é de ingleses. Os escoceses Jim Clark, Jackie Stewart e David Coulthard colaboram com 65 vitórias. Dos irlandeses, vieram as 5 de John Watson e as 4 de Eddie Irvine. À frente do Brasil ainda tem a Alemanha, com 106, sendo 91 de Michael Schumacher. As vitórias brasileiras estão divididas entre Ayrton Senna (41), Nelson Piquet (23), Emerson Fittipaldi (14), Felipe Massa (11), Rubens Barrichello (10) e José Carlos Pace (1). A França vem depois do Brasil com 79, seguida da Itália com 43. Mas deve-se levar em conta também a quantidade de pilotos que cada país levou à F-1. Por exemplo, a França venceu 79 vezes, mas já teve 70 pilotos. A Itália teve 97 e venceu 43 vezes. Também com 43 vitórias, a Finlândia só teve 8 pilotos na F-1 e três vencedores (Keke Rosberg, Hakkinen e Raikkonen). Do Brasil, 28 pilotos alcançaram a F-1 e seis construíram as 100 vitórias. No caso da Grã-Bretanha, são 154 pilotos (206 vitórias) e a Alemanha teve 51 pilotos (106). A Argentina contou com 25 pilotos na F-1 e soma 38 vitórias (24 de Fangio). A Austrália, com 17 pilotos, venceu 27 vezes. E a Espanha de Fernando Alonso levou 13 pilotos à F-1, mas todas as 21 vitórias são do próprio Alonso. Rubinho fez muita questão de dizer que está de volta à briga pelo título, e na matemática está mesmo. O problema é que Button saiu de Valência de cara fechada, certamente descontente com o seu próprio ritmo nas últimas quatro corridas, nas quais somou apenas 11 pontos. A consistência é importante para quem é líder, mas precaução tem limite. Somando pontos de dois em dois ele pode perder a briga. E como administrar a relação entre Button e Rubinho, agora disposto a brigar? A Red Bull já tem uma forte razão para dar preferência a Webber. E não é pelos 4,5 pontos a mais na classificação e, sim, porque Vettel perdeu dois motores em Valência e vai usar agora na Bélgica o sétimo dos oito motores a que cada piloto tem direito no ano. Faltando ainda seis corridas, é muito difícil Vettel não estourar o limite e, com isso, sofrer punição de 10 posições no grid de uma das últimas corridas do ano. Enquanto Massa faz novos exames pensando na sua volta às pistas, para que a Ferrari possa anunciar logo ele e Alonso como a dupla de 2010, em Budapeste as 50 pessoas envolvidas no resgate do brasileiro após o acidente em Hungaroring, além dos médicos e enfermeiros que o atenderam no Hospital Militar, receberam homenagem do governo brasileiro e dos promotores do GP do Brasil.

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