Enfim, o encontro de Messi e Neymar

Aclamados os melhores jogadores do planeta, os dois se enfrentam amanhã na tão esperada decisão entre Barcelona e Santos em Yokohama, no Japão

LUIS AUGUSTO MONACO, ENVIADO ESPECIAL / YOKOHAMA, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h06

A vitoriosa geração de Neymar e Ganso terá amanhã às 8h30 (horário de Brasília) seu maior desafio: derrotar o badalado Barcelona e dar ao clube o direito de bordar na camisa a terceira estrela de campeão mundial. As duas que adornam o manto santista foram conquistadas por Pelé e seus maravilhosos companheiros há quase meio século, em 1962 e 1963.

É o maior desafio não apenas pela importância da partida, mas também pela excelência do adversário. Desde que Pep Guardiola tomou o mando da equipe, há três anos e meio, não houve um adversário capaz de terminar um jogo com mais tempo de posse de bola.

E o único grande europeu que conseguiu sobreviver ao seu futebol de outro planeta foi a Inter de Milão na semifinal da Copa dos Campeões de 2009/2010. O time italiano ganhou por 3 a 1 em casa com um gol em impedimento e se garantiu com uma derrota por 1 a 0 no Camp Nou numa noite em que passou 90 minutos se defendendo como se fosse um time pequeno.

Real Madrid, Milan, Manchester United, Arsenal, Bayern de Munique... todos foram aniquilados pelo poderio de um time que joga por música e não se cansa de procurar o gol.

Os santistas têm dito desde antes do início do Mundial que o Barça é o favorito ao título. Mas sabem que têm as suas chances. E os seus trunfos. Os dois contra-ataques que o Al-Sadd puxou com perigo no fim do primeiro tempo da partida de quinta abriram diante do Barça um sorriso no rosto de Muricy Ramalho e seus jogadores.

Eles sabem que com o talento de Neymar, o oportunismo de Borges e os passes medidos de Ganso o time pode tirar proveito das desatenções do Barcelona para fazer os gols que transformem o sonho em realidade.

Tão importante quanto ter um bom aproveitamento nas finalizações será mostrar mais segurança na defesa do que no segundo tempo da partida contra o Kashiwa Reysol. Muricy faz mistério e só vai soltar a escalação uma hora antes do jogo, mas tudo indica que Léo reassumirá sua posição na lateral e Henrique será sacrificado para o time jogar com três zagueiros.

Com essa formação haverá um líbero para tentar interceptar os passes nas costas da zaga que são uma das marcas do Barça - o gol de Keita na semifinal se projetando para receber o toque preciso de Messi é um exemplo de como a máquina catalã faz bem essa jogada.

FUTEBOL NOBRE

O Santos vai esperar o time espanhol do meio de campo para trás, porque Muricy acha uma loucura tentar apertar a saída de bola e "esticar" a marcação. Ele quer sua equipe atuando de forma compacta para diminuir o espaço dos solistas do Barcelona. E quando recuperar a bola o campeão da América do Sul vai agredir o da Europa.

Se os times forem fiéis a suas tradições e seus craques estiverem inspirados, será uma partida para enobrecer o futebol.

O grande jogo ainda tem um apelo especial. Desde 1960, quando se disputou o primeiro Mundial Interclubes entre os campeões da Europa e o da América do Sul, até aqui foram 50 decisões. Os europeus conquistaram 25 títulos e os sul-americanos mais 25. O tira-teima vai ser amanhã em Yokohama.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.