Ensaio fora de ritmo para decisões

Santos vence, mas não convence para final da Copa do Brasil e São Paulo vai encarar semifinal da Libertadores em fase ruim

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2010 | 00h00

Santos e São Paulo têm jogos decisivos na quarta-feira. Mas só os santistas ganharam confiança no clássico de ontem. Em jogo de poucas chances, futebol sem empolgação, os donos da casa marcaram um gol (1 a 0) em lance fortuito e podem comemorar o retorno dos bons resultados antes da final da Copa do Brasil.

Renato Silva marcou gol contra e deu a vitória ao Santos na Vila Belmiro. "Voltar a vencer após três derrotas é muito bom", festejou Paulo Henrique Ganso, o melhor em campo ontem. "Vamos confiantes para tentar bom resultado contra o Vitória na Copa do Brasil."

Mas o Santos precisa ter cuidado. Ontem entrou com mais titulares em campo. Só Robinho e Wesley foram poupados - Arouca e Leo estavam suspensos. O São Paulo apostou tudo na semifinal da Taça Libertadores contra o Inter. Assim, Ricardo Gomes deixou nove titulares fora - só Xandão e Rogério Ceni atuaram. Num cenário desses, vantagem dos donos da casa, certo? Sim, mas não foi tanta.

Em um jogo onde só Paulo Henrique Ganso se diferenciava pela técnica, o esforço santista deu pouco resultado desde o começo. A melhor chance dos donos da casa surgiu quando, aos 12 minutos, Rogério Ceni impediu o gol de Neymar no rebote de uma cobrança de falta também bem defendida pelo goleiro.

Do São Paulo não dava para esperar muita coisa. A equipe de Ricardo Gomes entrou em campo com a ideia de explorar contra-ataques. Estratégia justa, mas muito mal executada. O meio-campo são-paulino era de uma lentidão constrangedora - o homem de armação, Cléber Santana, só tentava lançamentos e não acertava um. Assim, o primeiro tempo se encaminhou para um 0 a 0 insosso.

"Nosso objetivo era jogar de igual para igual com o time titular deles", disse o meia são-paulino Jorge Wagner. "Faltou colocar um pouco mais de gente na frente para criar mais oportunidades. E tivemos azar."

Gol saiu por acaso. Em partida equilibrada, de pouca técnica e raras oportunidades, o gol só poderia sair mesmo por acaso. Foi o que ocorreu aos 15 minutos do segundo tempo. Marquinhos levantou bola na área do São Paulo em cobrança de falta pelo lado direito. E a defesa reserva mostrou a mesma limitação da titular nos últimos jogos. Ninguém conseguiu afastar e Renato Silva, com o peito, acabou colocando a bola para dentro do próprio gol. O máximo que Rogério Ceni poderia ter feito no lance era xingar mesmo. 1 a 0 Santos.

Quarto resultado ruim do São Paulo depois da Copa do Mundo - antes, perdera para Avaí (2 a 1) e Vitória (3 a 2) e empatara com o Grêmio Prudente (1 a 1). Um torcedor não aguentou. Irritado, invadiu o campo seminu. Atitude compreensível dado o desespero que toma conta dos são-paulinos com a proximidade da "decisão" da Libertadores, embora injustificável.

Ricardo Gomes abdicou um pouco dos planos, colocou Hernanes e Washington em campo e o time não jogou muito melhor. Mas pelo menos causou um pouco mais de desconforto à defesa santista. Tanto que, aos 32 minutos, o centroavante acertou o travessão em cabeceada. O São Paulo ainda não entrou na zona de rebaixamento. Única notícia para a torcida se conformar. Já o Santos permanece a poucos pontos do G-4.

SANTOS 1

SÃO PAULO 0

CAMPEONATO BRASILEIRO

Gol: Renato Silva (contra) aos 15 minutos do segundo tempo.

SANTOS (4-4-2): Rafael; Maranhão, Edu Dracena, Durval e Alex Sandro; Rodriguinho, Danilo (Wesley), Marquinhos (Breitner) e Paulo Henrique Ganso; Neymar (Zé Eduardo) e Marcel.Técnico: Dorival Junior.

SÃO PAULO (4-4-2): Rogério Ceni; Renato Silva, Xandão, Samuel e Diogo; Casemiro, Richarlyson, Cleber Santana (Hernanes), Jorge Wagner (Washington); Marcelinho (Marlos) e Fernandinho.Técnico: Ricardo Gomes.

Juiz: Luiz Flávio de Oliveira (SP)

Cartão amarelo: Diogo, Maranhão e Rodriguinho.

Renda: R$ 255.380,00 (9.367 pagantes).

Local: Vila Belmiro

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