Ensaio geral

Contar vantagem não é politicamente correto e zebra é o animal mais comum no futebol, assim como o frango. Estamos de acordo, portanto, em dois princípios importantes, quando se trata de esporte. Mas, se for seguido roteiro que se vislumbra no torneio olímpico masculino, o Brasil passa para a fase seguinte com um pé nas costas. Egito, Bielorrússia e Nova Zelândia são, pelo menos na teoria, adversários com os quais sonha qualquer treinador de seleção que chega com responsabilidade de brigar pela medalha de ouro. Pois permitirão que a equipe se ajuste com calma para entrar em alta nas etapas de eliminação direta.

Antero Greco,

20 de julho de 2012 | 03h07

Por isso, tem peso grande o teste que Mano Menezes e seus rapazes fazem hoje contra a Grã-Bretanha. Os anfitriões dos Jogos de 2012 são, depois da equipe principal da Argentina (para a qual perderam por 4 a 3 nos EUA), o que de melhor treinador e pupilos pegarão no projeto, digamos assim, de conquista inédita, aquela que um dia certamente virá.

Mano considera ter descoberto a formação ideal no duelo com os hermanos em junho. E não deixa de ter razão. Na falta de datas e de um rigoroso planejamento para seleção olímpica, aquela partida foi a melhor coisa que lhe aconteceu. Ali ele firmou o olhar no grupo que levou para a Inglaterra e, mesmo com a derrota, esquadrinhou os 11 titulares, apesar de uma ligeira dúvida que manteve entre Rafael e Danilo na direita. Interrogação que provavelmente vai mandar para escanteio após o ensaio geral marcado para esta sexta-feira.

Ou, vá lá, poderá dar-se o luxo de fazer novas observações, se os rivais da fase de grupos não incomodarem além do previsto. (Sei, sei, as zebras etc e tal...) Mano tem uma seleção boa, jovem como determina o regulamento, nem por isso inexperiente. Rafael e Neymar já disputaram final de Libertadores, Thiago Silva, Marcelo, Hulk e vários outros atuam em clubes europeus de ponta, jogaram copas continentais, têm boa quilometragem. Podem ser chamados de 'garotos' por carinho ou por questão cronológica (tenho filhos mais velhos do que todos os jovens da seleção), mas são homens feitos no mundo da bola.

Mano promete estratégia ousada, temperada com marcação forte. Ou seja, a receita que tem dado certo na atualidade. A proposta não tem nada de extravagante e diria que é a mais viável e óbvia na ausência de um trabalho de longo prazo que tenha Olimpíada como ponto de chegada. A CBF nunca deu prioridade para essa competição e não foi diferente para este ano. Talvez para 2016 a história seja outra, apesar de eu ter lá minhas dúvidas. Agora, o negócio é confiar no talento dos jogadores, nos rivais da primeira fase e... seja o que Deus quiser. Amém nós todos.

Salvem o Santos! Ou Muricy Ramalho e a diretoria se sacodem logo ou o Santos terá de contentar-se só com o título paulista no ano do centenário. A participação no Brasileiro até o momento é dolorosa, com retrospecto desalentador: uma vitória, 7 empates e duas derrotas. O time desmantelou-se, por contusões (como a de Dracena, baixa mais recente), por seleção (Rafael, Ganso, Neymar) ou por debandada (Borges, Ibson, Elano).

A reposição tem sido pouca e de qualidade discutível, os jovens que entram não têm a pegada dos titulares e sofrem pressão da torcida, que já dá sinais de impaciência. Os dirigentes parecem travados, da mesma forma que o treinador. Fazia tempo que não via Muricy desacorçoado, falando baixo. Isso se reflete no time. Hora de acordar, antes que seja tarde.

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