Valentim Flauraud|Reuters
Valentim Flauraud|Reuters

Entenda como é o procedimento do exame antidoping dos atletas

Casos de Sharapova e Ana Cláudia foram revelados nesta semana

O Estado de S. Paulo

11 de março de 2016 | 10h39

O doping ganhou destaque no noticiário mundial depois que a tenista russa Maria Sharapova anunciou na segunda-feira que testou positivo para a substância Meldonium no exame antidoping no Aberto da Austrália, em janeiro. Na quinta-feira, foi a vez de uma brasileira se envolver em polêmica semelhante. A velocista Ana Cláudia Lemos foi flagrada em exame antidoping fora de competição, realizado pela Agência Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), e pode até perder a Olimpíada.

Na tentativa de manter a integridade do esporte, os atletas são constantemente monitorados. A Agência Mundial Antidoping (Wada) é responsável pela coordenação da luta contra o uso de substâncias ilegais. Esse controle tem cinco fases: seleção dos atletas, notificação do esportistas, coleta de amostras, análise e gestão dos resultados.

1 - Seleção dos atletas

O controle é feito durante as competições ou fora delas. Durante os torneios, a seleção dos atletas pode ser realizada por sorteio, baseada no resultado da prova ou determinada por uma alguma razão em particular. Fora de competição, os testes são feitos a qualquer momento, em qualquer lugar e sem aviso prévio. Se o atleta for selecionado para um grupo alvo, deve informar sua localização regularmente. Ele pode ser testado em casa, no local de treino ou em outros lugares apropriados.

2 - Notificação dos atletas

O processo de notificação dos atletas é o mesmo para o controle dentro ou fora da competição. Se o atleta for selecionado, o oficial de controle de dopagem (DCO) mostrará uma identificação para provar que está autorizado a realizar o exame antidoping. O agente explicará os direitos e deveres do atleta no processo do controle de dopagem e pedirá que o esportista assine um  formulário. Após ser notificado, o atleta deve se dirigir ao local do exame imediatamente. Ele poderá solicitar um adiamento do teste em caso de participação na cerimônia de premiação, em coletiva de imprensa ou em caso de necessidade de tratamento médico. O DCO permanecerá com o atleta até que todo o processo seja concluído.

3 - Coleta das amostras

O atleta deve apresentar um documento de identificação com foto. O próximo passo é fornecer várias amostras de urina, de sangue ou ambas. Quando o atleta está pronto para fornecer uma amostra de urina, o oficial de controle de dopagem do mesmo sexo testemunhará a coleta da amostra e ficará com o esportista até que ele ceda um exemplar que cumpra todos os requisitos. A seguir, será pedido que o atleta separe a amostra de urina nos frascos A e B. Durante todo o procedimento, o esportista é o único autorizado a manipular o equipamento da coleta de amostras, exceto se pedir ajuda. Em seguida, deverá confirmar e assinar o documento do controle de dopagem. As amostras e uma cópia do formulário sem identificação serão enviados para um laboratório credenciado. As outras cópias são mandadas para as as organizações antidoping. O atleta ficará com uma cópia do documento.

4 - Análise das amostas

A amostra A será aberta e analisada no laboratório, a amostra B será armazenada em segurança. Se o frasco A revelar a presença de uma substância proibida, a amostra B será analisada para confirmar o resultado.

5 - Gestão de resultados

O laboratório reportará os resultados para a organização responsável. Uma cópia será enviada para a Wada para assegurar a integridade do processo. Em caso de resultado positivo, o atleta tem direito de solicitar e de assistir à abertura da amostra B dentro do prazo estipulado, apresentar a sua defesa e também de apelar da decisão.

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