Entidade apoiada por estrelas tenta frear avanço recorde da aids no pequeno país

Um país falido por causa do HIV quer usar o futebol para começar a reverter o massacre que a aids causou nos últimos 20 anos. O Lesoto tem 23% da população contaminada, uma das taxas mais elevadas no mundo. Nos últimos 15 anos, a expectativa de vida caiu de 52 anos para 34, a mais baixa do planeta.

, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 00h00

Uma entidade apoiada pelos príncipes britânicos, pela Fifa, pelo técnico italiano Fabio Capello e pelo jogador David Beckham está usando partidas de futebol para tentar frear o massacre. Nos últimos dois anos, 8 mil jovens foram testados para saber se são soropositivo. "A estratégia é simples: organizamos campeonatos amadores e, ao final das partidas, cada jogador passa pelo teste", explicou Pete Fleming, diretor da Kick For Life.

Ele já planeja ampliar a atuação e começar um projeto nas favelas do Rio. "Queremos aproveitar que há um foco mundial sobre o Brasil para a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 para levar programas sociais ao país", disse. No Brasil, as áreas de atuação serão a tuberculose e capacitação profissional.

No Lesoto, a meta é a de ao menos saber quem no país está contaminado para começar a impedir a difusão da doença. Hoje, do 1,8 milhão de cidadãos do Lesoto, a estimativa é de que existam 400 mil órfãos da aids. A taxa de mortalidade já é equivalente no país ao número de nascimentos.

Se a bola é a esperança para fazer milagres, a realidade do futebol do Lesoto é de caos, corrupção e desastre. Antes da Copa, o governo iniciou uma modernização milionária do único estádio no país. Mas, misteriosamente, o campo não ficou pronto e nenhum amistoso de seleções foi realizado no país. Há um mês, foi revelado que a empresa que prestava serviços de construção no estádio era do filho do primeiro-ministro do país.

O Lesoto também não tem atualmente uma seleção nacional. Isso porque não tem onde jogar e nenhuma outra seleção aceita convites para disputar amistosos contra o time. Por meses, a única partida disputada pelo Lesoto foi contra Botsuana. O jogo em abril acabou zero a zero. O campeonato nacional é amador, com times chegando a jogar com camisas apenas da mesma cor, sem números e nem mesmo sendo iguais.

A Copa do Mundo na vizinha África do Sul está tão distante como um torneio na Europa. A população não tem passaporte e as fronteiras fecharam. Mesmo os que têm não contam com recursos para fazer a viagem de 200 quilômetros entre a capital Maseru e Bloemfontein. A solução é mesmo a televisão, quando não falta energia.

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