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Paulo Calçade
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Entre luzes e apagões

Um erro de posicionamento defensivo do São Paulo iniciou a grande vitória do Palmeiras no clássico de ontem. Aos 30 minutos do primeiro tempo, Arouca tocou para Dudu, na esquerda, Egídio fez a ultrapassagem, recebeu e cruzou para traz. Bola longa, que foi parar na meia lua da grande área, para Leandro Pereira, livre, fazer 1 a 0, com desvio de Souza.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2015 | 02h03

Hudson, o primeiro volante, correu para auxiliar a marcação no lado do campo. Ganso, nas redondezas, ficou apenas observando. Nem marcou nem correu para a entrada da área, onde Leandro aguardava a bola. Na área, Souza juntou-se aos zagueiros do seu time, ampliando o latifúndio do palmeirense. Quando correu para o bote era tarde.

Soberano nas bolas paradas, o Palmeiras distribuiu-se melhor pelo gramado, superior ao São Paulo mesmo com apenas 33% da posse de bola no clássico. Com ela, o time de Marcelo Oliveira, que fazia sua primeira partida na nova casa, produziu nove finalizações certas contra apenas duas, teve oito escanteios a favor e dois contra.

E desarmou o adversário 27 vezes, contra 10, dado que facilita o entendimento do confronto: o São Paulo teve a bola, o Palmeiras, o jogo, com grande atuação de Egídio e de Arouca.

Uma bola recuperada aqui, outra ali... E 4 a 0 foi pouco. Mas, por enquanto, resista à tentação de endeusar Marcelo Oliveira e de destruir o que vem fazendo o colombiano Juan Carlos Osório, ambos têm muito trabalho pela frente.

Pobre seleção. Não existe liderança dentro de campo. Apenas Neymar, uma gigantesca referência técnica. Porém, mais uma vez, ausente da equipe no dia do adeus. O perigo, agora, é acreditar que a solução é apenas individual, de nomes e de talentos, enquanto a CBF continua a fazer escolhas equivocadas.

O maior vexame do futebol brasileiro vai completar um ano dia 8 de julho. Depois dos 7 a 1, a solução foi contratar Dunga e Gilmar Rinaldi para colocar a seleção nos trilhos. Lamentavelmente, a CBF não demonstrou interesse nem teve inteligência para iniciar a reconstrução da equipe nacional.

Está claro que o problema vem de fora para dentro do campo. E que tem relação direta com a qualidade do nosso futebol. Outra visão muito comum sobre a crise na seleção é de que o nível dos jogadores é ruim. É fato, não temos uma geração extraordinária, mas é possível melhorá-la com o que temos. Não conhecemos seu potencial nem seus limites, apenas seu fracasso.

Montada como time pequeno, atolado no medo e no atraso, e sem um líder verdadeiro, a seleção de mais de uma dezena de patrocinadores vai sepultando lentamente sua imagem.

Contra o Paraguai foi triste, recuou, contra-atacou, e mesmo assim poderia ter seguido em frente. Parou nos pênaltis. Emocionalmente, como visto no Mundial, é um fiasco.

Nas mãos desta CBF, agora de Del Nero, a história do nosso futebol corre o risco de ser aniquilada entre apagões e viroses. O momento é péssimo, de credibilidade zero. O primeiro torcedor que ouvi, após a desclassificação, tinha convicção de que se tratava de mais um resultado vendido pela entidade.

Mais um, pois muita gente ainda acredita que a final da Copa do Mundo da França, em 1998, foi negociada por Ricardo Teixeira, então presidente da CBF. Por mais que os meandros do negócio e o caráter dessa turma sejam conhecidos, de domínio público, tentei convencê-lo de que nada disso havia acontecido. E de que, neste momento, vitórias são fundamentais para manter o debate dentro de campo, pois fora dele o caso é de polícia.

Não erra quem identifica na CBF a origem da crise moral e técnica do futebol brasileiro. Se José Maria Marin, preso na Suíça há um mês, tiver mesmo coragem para contar tudo o que sabe, conheceremos em detalhes não só o co-conspirador 12, citado no relatório do FBI, mas provavelmente o 144, o 145, o 146...

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