Ivan Storti/Divulgação
Ivan Storti/Divulgação

Entre tapas e polêmicas, Neymar começa o ano com dias bem agitados

Em um mês de temporada, craque se envolveu em discussão com técnico rival e trocou tapas com jogador

GONÇALO JUNIOR, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h03

SANTOS - Neymar pisa na bola de vez em quando. A expulsão contra a Ponte Preta, quando trocou tapas com o lateral Artur, foi o episódio mais recente de uma listinha que começa a virar listona.

Em Itu, no fim de janeiro, o astro levou mais gente consigo quando derrapou. No primeiro tempo da partida contra o Ituano, ele encasquetou que havia sido chamado de macaco pelo técnico rival, Roberto Fonseca. Reclamou com os árbitros, fez um escarcéu e, antes do intervalo, a notícia já havia corrido o mundo pelos fios da web. Após um puxão de orelhas do técnico Muricy, recuou e disse que talvez não tivesse ouvido direito. Fonseca disse, na verdade "cai cai", mas o estrago estava feito.

"O Neymar precisa ter responsabilidade com as coisas que diz. Todo mundo dá ouvidos para ele. É preciso ter cuidado com o que fala", diz o acusado, que afirma que Neymar não se desculpou. "Os grandes jogadores mundiais não entram em polêmica. Eles evitam isso a todo custo e mantêm o foco no futebol."

Polêmica é uma palavra que dá coceira em qualquer patrocinador e a lambança de Itu reverberou nos corredores da CBF. Um patrocinador de peso da seleção brasileira reclamou do episódio durante a apresentação do novo uniforme da equipe que, por coincidência, aconteceu um dia depois da confusão de Itu.

"O Neymar tem de evitar essas polêmicas. Isso é muito prejudicial para a imagem dele", disse um alto executivo da empresa patrocinadora.

INTOCÁVEL

No Santos, Neymar não tem ressalvas. "O Neymar representa praticamente 90% do time do Santos, mas ele consegue separar bem a vida pessoal da vida profissional. Quando o Pelé arrumava uma namorada também era assim. Em Santos, só se fala da menina da Globo", conta o ex-treinador e ex-jogador Pepe, referindo-se à Bruna Marquezine, affair do craque.

Neymar está bem na foto no Santos mesmo com um cabelo diferente a cada semana. "Os jogadores de futebol são tratados como pop stars. Isso faz parte da liturgia da juventude dos atletas", disse o vice-presidente do Santos, Odílio Rodrigues. "Pintar o cabelo é o de menos. Ele só tem 20 anos e tem a cabeça boa. Na minha época, eu fazia coisa muito pior e marcava meus gols", diz o ex-jogador Serginho Chulapa, segundo maior goleador do Santos após a era Pelé ao lado de João Paulo com 104 gols - o maior já é Neymar.

Sem brilho. A atuação apagada de Neymar na derrota da seleção brasileira a Inglaterra, por 2 a 1, no início de fevereiro, rendeu críticas estrondosas da imprensa europeia, que podem ser resumidas nas linhas do Daily Mail: "Neymar chegou à Inglaterra como um dos jogadores mais desejados do mundo. Mas Cahill o deixou de joelhos. Em Wembley o garoto maravilha de 50 milhões foi inútil".

Para a imprensa internacional, Neymar sofre pela falta de experiência contra as duras defesas europeias. O último a bater nessa tecla foi o coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberta Parreira. "A Europa já fala nele, mas falta o reconhecimento jogando num time europeu", disse o treinador. "Neymar é um ser humano, que erra e acerta como qualquer um. Na hora certa, ele vai", alisa Serginho.

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