Entre três paredes

Grand Prix

Reginaldo Leme, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2009 | 00h00

Se nem quando tudo vai bem nos testes da pré-temporada, e as equipes se dizem satisfeitas com as centenas de quilômetros percorridos, a gente pode fazer uma avaliação segura de quem está se dando melhor, imagine quando chuva e neve atrapalham a programação nos diferentes autódromos escolhidos para testar. Nunca foi tão difícil saber em que pé está a preparação dos novos carros para o Mundial que começa em 29 de março. E justamente no ano em que os carros sofreram modificações mais drásticas por força das novas regras.A medida mais correta parece ser a que tomaram Ferrari e Toyota, seguidas agora pela BMW. Chega de tentar andar em pistas européias e ficar sujeitas a perder mais tempo. Elas já trocaram a pista espanhola de Jerez de La Frontera pela de Bahrein. Mais do que nunca, tempo significa dinheiro agora que os testes estarão proibidos durante o campeonato. Portanto, o dinheiro a mais que será gasto levando carros, motores, pneus, gasolina e pessoal técnico da Europa para o Bahrein acaba resultando em economia. Pior é levar tudo isso para o novo circuito do Algarve ou para Valência e Mugello e ficar o dia todo parado nos boxes vendo a chuva cair.Só há uma coisa mais chata do que um dia de teste, que é um dia de teste com chuva. Passei muitos dias inteiros em pistas inglesas acompanhando Emerson, Piquet ou Senna e, mesmo com tempo bom, cada vez que quebrava alguma coisa o carro ficava horas nos boxes. Quando o teste era em Silverstone e acontecia isso, a gente ia para um pub, a 1 quilômetro da pista, e ficava jogando sinuca e dardo até a hora em que aparecia alguém da equipe para chamar o piloto. Na época nem havia celular. Ou, então, fazíamos do box vizinho uma grande sessão de piadas, e as risadas quebravam o silêncio daquele autódromo vazio. Wilsinho Fittipaldi sempre foi um cara bom de piadas. Bem mais tarde, já nos anos 80, com o autódromo de Jacarepaguá passando a sediar o GP do Brasil, as equipes vinham para o Rio no mês de janeiro e passavam de duas a três semanas testando. Aí o clima já era outro. Pra começar, vinham quase todas as equipes, o que garantia dias agitados, como se fosse mesmo um fim de semana de GP. Hoje em dia isso acontece no circuito de Barcelona, mas em dose bem menor - durante quatro a cinco dias da última semana da pré-temporada. As outras sessões de testes são feitas em pistas distintas, ou porque uma determinada equipe quer treinar sozinha, sem mostrar o que tem de melhor e, principalmente, suas fraquezas, ou mesmo para não servir de referência para o inimigo. Há também os autódromos que financiam algumas despesas dos testes, como meio de promover o GP do País, a exemplo do Bahrein. Neste momento, não houve ainda um grande confronto, mas até o começo do campeonato deve haver, provavelmente em Barcelona. A pista que reuniu o maior número de equipes foi a de Algarve, com McLaren, Renault, Toyota, Williams e Toro Rosso. Mas sem a Ferrari. Entre 10 e 13 de fevereiro, Ferrari, Toyota e BMW treinam no Bahrein, enquanto as outras estarão em Jerez de la Frontera. Sem o confronto direto, alguns segredos são mantidos entre três paredes e uma porta de box fechada. Mas, assim mesmo, já há reclamação de McLaren, BMW e Toyota contra a posição dos canos de escapamento da Ferrari. Para o início do campeonato faltam dois meses. Mas a guerra já começou.

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