Equilíbrio inédito acirra disputa

Nunca a diferença de pontos entre os extremos da tabela de classificação foi tão pequena

RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h05

O equilíbrio do Campeonato Brasileiro já havia chamado a atenção até da Fifa, que no mês passado publicou uma reportagem em seu site destacando que o líder Cruzeiro era a única equipe que destoava na competição. Mas o acirramento do Nacional aumentou ainda mais em sua reta final. Desde 2006, quando o Brasileiro passou a ter 20 participantes, a diferença de pontos entre os times que estão na parte de cima da tabela e os que estão embaixo nunca foi tão pequena antes do início da 28.ª rodada, aberta ontem com três jogos.

Apenas sete pontos separavam o quinto colocado, Atlético-MG (39), do 17.º e primeiro na zona do rebaixamento, Vasco (32). Nos anos anteriores, a menor distância observada na 27.ª rodada entre equipes que ocupavam essas duas posições foi de dez pontos, em 2007, quando o Fluminense tinha 43 e o Corinthians, 33.

Ontem, o Vitória bateu o Coritiba, chegou aos 40 pontos e assumiu a quinta colocação. A diferença para o 17.º aumentou para oito pontos, mas mesmo assim continua a menor da história. Hoje, com o complemento da 28.ª rodada, a distância pode voltar a cair.

O equilíbrio inédito faz com que um clube possa, ao mesmo tempo, correr risco de ser rebaixado e estar brigando por vaga na Libertadores. É o caso do Corinthians, por exemplo.

Vanderlei Luxemburgo, técnico que mais vezes foi campeão brasileiro com cinco conquistas, aponta a falta de planejamento como razão para esse equilíbrio. "No futebol brasileiro, infelizmente, é proibido falar a verdade. Se o Fluminense estivesse com elenco para ganhar a Libertadores e o Brasileiro, não teria trocado de técnico. Quantos times hoje estão preparados para ganhar o Brasileirão? Só três", disse.

Luxemburgo começou o campeonato no Grêmio, mas foi demitido durante a paralisação para a Copa das Confederações. Na sequência, assumiu o Flu, que havia demitido Abel Braga.

No Santos, que vendeu Neymar no fim de maio, em seguida mandou Muricy Ramalho embora e ainda negociou o goleiro Rafael e o meia Felipe Anderson, o presidente Odílio Rodrigues ataca o nível do futebol praticado no País. "O Campeonato Brasileiro está nivelado, com futebol de qualidade baixa. São raras as exceções de equipes que têm um desenvolvimento regular. Não se vê um time que se destaque, mesmo com o custo alto dos elencos. A constatação é que o nível está muito baixo."

A maior prova do equilíbrio do campeonato foi dada na 27.ª rodada, quando cinco dos seis últimos colocados venceram seus jogos contra equipes melhor posicionadas na tabela. Foi o caso do São Paulo, que bateu o Cruzeiro. "Tropeços vão existir e adversidades também em um campeonato tão difícil como esse", justificou Marcelo Oliveira, técnico do Cruzeiro.

A vitória do Criciúma sobre o Grêmio fez o técnico do time catarinense, Argel Fucks, chegar à conclusão de que a posição das equipes na tabela pouco influencia no resultado. "Você jogar contra o time que está brigando para sair da zona de rebaixamento ou com o vice-líder tem a mesma dificuldade", disse. / COLABOROU SANCHES FILHO

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