Equipe está muito ansiosa para estreia

Jogadores não veem a hora de começar os Jogos; técnico Magnano põe em quadra formação com seus dois pivôs

ALESSANDRO LUCCHETTI , ENVIADO ESPECIAL / ESTRASBURGO, ESTRASBURGO, ALESSANDRO LUCCHETTI , ENVIADO ESPECIAL / ESTRASBURGO, ESTRASBURGO, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h06

Os dois amistosos disputados pela seleção brasileira masculina de basquete em Estrasburgo começaram de formas totalmente diferentes. Antes do início do jogo contra a França, no sábado, os cinco mil torcedores que lotaram o ginásio Rhénus Sport cantaram "A Marselhesa" com fervor. Os franceses adoram seu hino, e nesta região da Alsácia-Lorena - que esteve em disputa entre alemães e franceses durante as guerras napolêonicas, a franco-prussiana e as duas guerras mundiais - o canto sai ainda mais patriótico. Os jogadores da seleção brasileira parecem ter chegado a um estágio em que estão à prova de intimidações, mas admiraram a garra dos adversários para cantar. E, com a mesma obstinação, os franceses desfizeram uma desvantagem de onze pontos e venceram por 78 a 74.

Ontem, o ginásio tinha pouco mais de 2 mil torcedores, que ficaram um minuto em silêncio pela memória de David Henrique, jogador de 19 anos do Brasília que morreu em decorrência da queda da tabela após uma enterrada. Ele lutava pela vida desde o último dia 12, mas ontem não resistiu. Alex, que defende o Brasília e costumava bater bola com os garotos do sub-22, ficou emocionado.

A seleção brasileira iniciou o jogo concentrada, evitando os erros que a condenaram na véspera. Leandrinho, que fizera má partida contra os franceses, começou no banco. Iniciaram o jogo Huertas, Alex, Marquinhos, Tiago Splitter e Anderson Varejão. Defendendo bem, e tendo paciência para trocar os passes até encontrar o jogador mais bem posicionado para o arremesso, o Brasil aumentou a vantagem e controlou o jogo o tempo todo.

Adversário do Brasil na estreia olímpica, a Austrália preservou seus jogadores. O bom armador Patty Mills, reserva de Tony Parker no San Antonio Spurs, jogou apenas 21 minutos. Joe Ingles, ala do Barcelona, esteve em quadra por 27. Ingles deu a entender que seu time escondeu o jogo. "Conheço o meu time, e sei que ele pode jogar bem mais rápido e melhor do que isto", disse, referindo-se à derrota por 87 a 71.

O técnico do Brasil, Rubén Magnano, acha que ninguém esconde o jogo a ponto de não lutar pela vitória. "Fizemos o nosso jogo. Pergunte ao técnico da Austrália se eles não tentaram fazer o deles", disse o argentino. O treinador Brett Brown, que é auxiliar de Gregg Popovich nos Spurs, não deu entrevista.

Alex, que se destacou com 11 pontos, também acha que a tentativa de esconder o jogo vai até um certo limite. "Você pode deixar de fazer algumas movimentações, mas não adianta esconder muito e na hora de jogar não saber apresentar o que tem".

Intensidade australiana à parte, a verdade é que o Brasil se animou com a vitória, e fez barulhenta festa no vestiário. "Falei antes do jogo que tínhamos que deixar nosso selo. Ontem (anteontem) não deixamos um selo de que somos combativos, de que queremos, e de que ninguém vai caminhar por cima do Brasil", discursou Magnano. "Jogamos martelando, golpeando e pegando nos lugares que achamos propícios".

Leandrinho deu sinais de que recuperou parte de seu jogo. Entrou no segundo quarto, jogou de forma individualista, mas fez bonitas infiltrações. Deixou a quadra após 2min33, tempo suficiente para fazer seis pontos, porque machucou o dedo mínimo da mão direita. Segundo a assessoria de imprensa da CBB, terá condições de treinar amanhã. A estreia do Brasil, contra a Austrália, é no próximo domingo.

A fase de preparação da seleção brasileira foi boa, com amistosos contra fortes equipes que estarão nos Jogos Olímpicos, como Estados Unidos, França, Grécia, Argentina, Austrália e Nigéria. Mas foi também desgastante, com muitas viagens e horas de avião. Assim, os jogadores não escondem o alívio por verem que a fase preparatória está no fim. "Estou ansioso para que a Olimpíada comece logo. E também contente por não ter de ficar fazendo as malas toda hora", disse o pivô Tiago Splitter, do San Antonio Spurs.

Ontem, Magnano colocou em quadra uma formação rara, com seus dois pivôs ao mesmo tempo: Tiago Splitter e Nenê. Nessa esquematização, Splitter atua mais como ala-pivô. O treinador está podendo se dar ao luxo de finalmente fazer experimentações, graças à inexistência de lesões sérias. "A gente sempre falou que, quando o Brasil reunisse todos os seus jogadores, seria muito forte", diz Splitter.

Mesmo derrotado pela França na véspera, o Brasil fez o suficiente para entusiasmar os jornalistas franceses com jogadas plasticamente bonitas. O "Dernières Nouvelles D'Alsace" chegou a chamar Leandrinho de "artista". Ontem, menos espetaculosa, mas mais eficiente, a seleção não teve nenhum apagão. "Cometemos apenas alguns erros, que queremos corrigir até a estreia", admite Splitter.

Preocupado por continuar sem contrato com uma equipe da NBA, Leandrinho não é o mesmo jogador brincalhão de outras competições. Irritado com as perguntas dos jornalistas que tentam decifrar os motivos desse comportamento, Rubén Magnano nega haver motivo para preocupação. "Estão tentando ver algo por cima dos fatos".

De qualquer forma, o treinador tem interessantes opções para a posição 2: Alex, um grande marcador; Marcelinho Machado e até Larry Taylor, que entrou nessa posição em algumas oportunidades. Como sábado o norte-americano não foi bem como armador, Magnano deu 14 minutos para Raulzinho mostrar o que sabe, e o garoto não deixou muito a desejar, registrando quatro assistências. / A.L.

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