Equipe terá dificuldade para manter a tradição

Bronze em 96 e 2000, Brasil se ressente do desfalque de Bernardo Resende Alves, cuja égua se lesionou

O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h08

Medalha de bronze em 1996 e 2000, a equipe brasileira de saltos não pode ser considerada carta fora do baralho quando se fala em chances de pódio olímpico.

O nível da performance, no entanto, está indissociavelmente ligado à saúde dos cavalos. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, dois cavalos de brasileiros foram pegos no doping. Depois,AD Picolien, a égua de Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, se lesionou às vésperas da competição, e esse conjunto teve que ser substituído por outro, formado pela amazona Camila Mazza e sua montaria, Bonito Z. Uma queda do paulistano Pedro Veniss (ouro por equipes nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007), tirou do Brasil suas chances de alcançar a final, que reúne dez conjuntos.

Grande parte da força brasileira reside em dois nomes. Rodrigo Pessoa foi campeão olímpico nos Jogos de Atenas, em 2004, e quarto colocado nos Jogos Equestres Mundiais de Kentucky, nos EUA, em 2010, montando HH Rebozo.

Doda vem apresentando bons resultados nos últimos anos. Um deles foi a terceira colocação na edição do ano passado do circuito Global Champions Tour, que consiste de 13 etapas e entrega premiação de sete milhões de euros (o equivalente a R$ 18 milhões).

Um desfalque que será sentido é o de Bernardo Resende Alves. Em dezembro, sua égua Brigitte, se machucou. Como era a sua única montaria inscrita junto à Federação Equestre Internacional, ele ficou fora da pré-lista para os Jogos de Londres.

Integrante da equipe brasileira que foi a décima colocada em Atenas, Bernardo deu azar nas duas edições seguintes dos Jogos. Em 2008, um dos dois animais do Brasil suspensos por doping era a sua égua Chupa Chup.

Apesar dos problemas, o presidente da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), Luiz Roberto Giugni, não descarta as chances de medalha na competição por equipes. "Não deixo de estar otimista. O cavalo do Doda (Ashleigh Drossel Dan) está voltando agora, e o Rodrigo é o Rodrigo. Esses dois puxam bem o resultado", diz o dirigente.

A Alemanha, grande potência da modalidade, tem tudo para voltar a reinar, depois do fiasco de Pequim, onde não obteve nenhuma medalha nos saltos. Os Estados Unidos tiveram desempenho ruim no Mundial, mas possuem bons cavaleiros e animais para estarem na ponta. França e Bélgica, que subiram ao pódio no Mundial, reúnem chances para repetir ou até melhorar o resultado. Canadá, Suécia, Suíça e Holanda também são fortes concorrentes.

Mais chances no individual

Giugni tem mais esperanças na competição individual. E deposita até mais fichas em Doda, que, com outro cavalo (Bogeno), foi quarto colocado na etapa de Cannes, na França, do GCT.

Rodrigo tem chances mais remotas, na avaliação de Giugni, porque seu principal cavalo, Rebozo, ficou afastado das disputas por longo tempo devido a uma lesão. "Mas o Rodrigo é meio mágico. Dele não posso duvidar de nada", salienta.

A preparação para Londres foi melhor em comparação com as dos Jogos Olímpicos anteriores, graças à liberação de um aporte maior de recursos pelo Ministério do Esporte. Os cavaleiros que residem no Brasil puderam viajar mais vezes para a Europa, e seus animais já estão se aclimatando ao continente.

Para 2016, Giugni antevê a necessidade de investimentos para preparação de um plantel mais numeroso de animais. "Assim, caso tenhamos problemas em alguns deles, vamos dispor de opções", assinalou.

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