Equipes improvisam nos boxes

Falta de espaço cria situações embaraçosas. Projeto de reforma do autódromo precisa sair do papel

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h10

Integrantes da Ferrari amarraram com arame uma das paredes divisórias de sua diminuta área no paddock de Interlagos a fim de que não caísse sobre eles. Estenderam-no até encontrar uma superfície sólida, na escada de acesso à sala de imprensa. O pessoal de cozinha da Pirelli tem de segurar com as mãos uma das imensas panelas enquanto outro grupo cria espaço no fogão para acomodá-la, porque a bancada da pia é muito pequena. As duas experiências são exemplos da precariedade do autódromo para receber os quase três mil profissionais que compartilham o exíguo espaço do "pseudopaddock".

"Estamos finalizando com a FIA o projeto que prevê a construção de uma nova área de boxes e paddock do outro lado da pista", disse Renato Nunes, assessor do presidente da SP Turismo, Marcelo Rehder, empresa responsável por Interlagos.

O prefeito Gilberto Kassab incluiu no Plano Diretor a realização da obra que, em princípio, resolve os problemas estruturais do autódromo para continuar recebendo a Fórmula 1. "Agora cabe à nova administração examinar a questão. Estamos conversando com ele", disse Renato Nunes.

O prefeito eleito Fernando Haddad ainda não se manifestou com clareza a respeito do que pretende para Interlagos. Está agendada para amanhã no circuito uma reunião entre representantes da atual gestão e os da próxima.

Uma coisa é certa: a Prefeitura não poderá ignorar o problema. Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, nunca como desta vez acenou com a possibilidade de discutir com seriedade a candidatura de interessados no Brasil em receber o evento - ,o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, já manifestou interesse no evento.

Ontem à noite, porém, durante evento de lançamento do livro Formula 1 Opus que teve a presença de Ronaldo- o livro tem 37 kg, 825 páginas e mais de 2 mil fotos - Ecclestone disse não haver interesse em deixar Interlagos. Mas exige reformas no autódromo paulistano.

"Não temos essa intenção. Gostamos de São Paulo. É um autódromo antigo, mas que com uma boa reforma, ficará tudo bem. É um circuito antigo e cansado, mas que com uma boa cirurgia plástica ficará bem'', declarou o chefão.

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