Equipes querem definir orçamento

Max Mosley luta para impor limite de gastos em 2010. Escuderias aceitam, desde que elas determinem o valor

Livio Oricchio, MELBOURNE, O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2009 | 00h00

A mudança no critério de definição do campeão do mundo promovido pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), dia 17, de pontos conquistados para número de vitórias, causou revolta nos pilotos, nas equipes e nos fãs da Fórmula 1. Tanto que a entidade voltou atrás. Mas o que realmente gerou indignação e até uma reunião para mostrar ao presidente da FIA, Max Mosley, de que essa ele não conseguiria emplacar foi a proposta do cartola de congelamento de orçamento em 33 milhões de euros (cerca de R$ 100 milhões) e, principalmente, a introdução de dois regulamentos, um para quem aceitar o limite de investimento e outro para quem não concordar. Confira o resultado e imagens do GP da Austrália de Fórmula 1Durante o GP da Austrália a Fota, associação das equipes, discutiu o que fazer para informar Mosley de que sua proposta para 2010 desde já não está aceita. Mas os representantes das escuderias concordam que trabalhar com orçamento limitado pode mesmo ser uma saída para a Fórmula 1 em dias de crise econômica, como agora.Com uma diferença, porém: serão os próprios times que irão definir esse valor e não a FIA. "A Ferrari nunca concordou com os projetos de estabelecer teto de gastos. Dentro da Fota, contudo, concluímos que, se esse limite for compatível com a importância da Fórmula 1, podemos conversar??, explicou Luca Colajanni, do time italiano. "Só nos preocupa como realizar o controle.??A Fota não adiantou quais seriam as bases orçamentárias, mas uma fonte do encontro sugeriu que se fala em 100 milhões de euros (R$ 300 milhões) por temporada. "E, fundamentalmente, sem essa loucura de liberar desenvolvimento aerodinâmico e de motor para quem aceitar o congelamento de despesas e proibir qualquer mudança no carro para os que não desejarem limitar seus investimentos??, explica Mario Theissen, diretor da BMW. O diretor da McLaren, Martin Whitmarsh, vê também com bons olhos as escuderias disporem de um determinado valor fixo para gastar a partir da próxima temporada. "Seria uma forma de seleção, quem gere melhor receitas préestabelecidas??, disse Whitmarsh, mas emendou: "Não poderia ser como quer a FIA, nossa atividade é a Fórmula 1??.GRID MAIORMosley já adiantou que duas organizações o procuraram para obter mais detalhes do seu projeto de reduzir drasticamente a soma necessária para disputar o Mundial. "Não posso dizer quem são, mas já é um sinal da transformação que sofreria a Fórmula 1, com mais equipes inscritas e, melhor, a possibilidade de vitória estendida a mais gente.??O dirigente inglês não viajou a Melbourne. Semana passada, disse que seu projeto é tão bom que terá de colocar em votação no Conselho Mundial da FIA a elevação de limites de vagas na Fórmula 1, hoje de 12 equipes e 24 carros.Se alguma coisa pôde ser depreendida desde quinta-feira no Circuito Albert Park, onde foi disputada a etapa de abertura do campeonato - na madrugada de hoje, pelo horário brasileiro - é que já a partir do ano que vem competir na Fórmula 1 custará muito menos. "Aposto num terço do que gastamos hoje??, diz Flavio Briatore, diretor da Renault. Parece mesmo ser possível que tão logo se defina esse limite orçamentário pelo menos uma nova equipe decida apresentar seus carros no grid do GP da Austrália de 2010. NÚMEROS DA CRISE33 milhões de euros por equipe foi o valor proposto por Max Mosley como limitede orçamento para 2010100 milhões de eurosé o valor que os times estudam24 carros é o máximo que o regulamento da categoria permite hoje20 carros disputam a atual temporada

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