Erro em reforma de Interlagos vira chacota

Erro em reforma de Interlagos vira chacota

A obra era para resolver os problemas da Curva do Café, que provocou uma morte em abril, mas a geometria foi invertida

Milton Pazzi Jr., O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - A solução provisória para aumentar a segurança dos pilotos na Curva do Café, no Autódromo de Interlagos, virou motivo de chacota e críticas: a chicane (um desvio para redução de velocidade) no local foi reconstruída com geometria invertida no sentido da pista, ou seja, a saída é que era para ser a entrada, sendo impossível de ser utilizada.

E não foi, pois pilotos e fiscais da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), ao verem a obra na sexta e após várias reuniões, vetaram o uso do local no Campeonato Brasileiro de Marcas, que ocorreu no domingo.

O erro na execução do projeto de reforma, alega a CBA, é da SPTuris, responsável pelo autódromo paulistano e por todas as suas obras. A SPTuris disse que executou apenas o que lhe foi pedido.

A decisão de mudar o traçado da pista veio após a morte de Gustavo Sondermann, em abril, durante uma prova da Copa Montana. Antes, há três anos e meio, Rafael Sperafico morreu em uma etapa da Stock Light.

Os envolvidos no caso - CBA e SPTuris - não apontam diretamente o culpado pelo erro, que seria do engenheiro e da empreiteira que executou a obra. A confusão aponta para origem política - excesso de opiniões e pontos de vista - com falta de comunicação efetiva. São vários os envolvidos na execução de qualquer obra no local.

"Efetivamente não tem condições de uso como está, aquilo vai ser removido e vai ser refeito", declara Cleyton Pinteiro, presidente da CBA.

Para entrar na chicane, que fica do lado esquerdo da Curva do Café, o carro quase teria de parar - o que é impossível, pela velocidade com que sobe da Junção -, pois a curva tem uma parede de pneus (no alto da foto, à esquerda). Dentro, há uma zebra ao contrário. E, na saída (à direita, acima), há outra proteção de pneus, que forma outra parede.

A SPTuris prometeu se pronunciar hoje sobre o problema e adiantou que vai corrigir o local para a Corrida do Milhão da Stock Car, em 7 de agosto, para utilização a pedido dos pilotos e da Vicar, organizadora da prova.

Os responsáveis pelo circuito terão pouco mais de 15 dias para a execução da nova obra.

A solução para a Curva do Café, que deve ser a construção de uma área de escape, só deve sair depois da realização do GP do Brasil de F-1, no fim de novembro. A chicane, construída para a MotoGP, existe desde 1992.

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