Escadinha não temeu pressão na Itália

Único titular absoluto na Seleção Brasileira de Vôlei, Escadinha nem imaginava que um dia deixaria o bairro de Pirituba, viajaria o mundo e seria campeão olímpico. O líbero, que já foi vendedor de água sanitária e colocador de papel de parede volta a São Paulo após a primeira temporada no melhor campeonato do mundo: o italiano. Com o grupo de Bernardinho, Escadinha treinou nesta quarta-feira em São Paulo para os dois jogos da Liga Mundial, contra o Japão, sábado e domingo, no ginásio do Ibirapuera. Após a conquista do ouro nos Jogos de Atenas, Escadinha partiu para o Piacenza, da Itália, aos 28 anos. Disse que não temeu a pressão por ser estrangeiro e carregar o status de melhor líbero do mundo. "É duro. A cobrança lá é forte, mas eu já sabia que teria dificuldades. O pior mesmo era ficar longe da família, o resto, nenhum problema. Eu comia em um restaurante do clube e só tinha de lavar a roupa. Jogava na máquina e deixava lá", conta. Nem mesmo o idioma foi um empecilho. Não fez aulas de italiano. "Aprendi lá na marra, não é muito difícil. Acho que em três meses entendia tudo." A maior dificuldade foi ficar longe da mulher, Renata, e os dois filhos, Marlon e Matheus. "Ela ficou aqui em São Paulo até acabar as aulas das crianças e depois os três foram para a Itália, mas não se acostumaram. Era muita neve, muito frio e eles só ficavam no apartamento. Acabaram voltando", lembra. Quando chegou em São Paulo fez questão de comer a feijoada da mãe, "dona" Didi. "Não teve festa, não. E claro que teve tubaína!" Escadinha considerou boa a temporada na Itália. A equipe, que também tem o oposto Anderson, ficou em quarto lugar no Campeonato Italiano. "Faltou mesmo foi sorte. Na semifinal o levantador (Nikola Grbic, da Seleção da Sérvia e Montenegro) e o Marshall (ponta do time de Cuba) se machucaram. Senti um pouco a diferença entre a Superliga e o Italiano.Lá a gente treina menos, mas todo mundo fala que no Brasil se treina muito mais. Eu não sei se aqui treina-se mais ou se é o certo", ressaltou. O técnico Bernardinho elogiou: "Foi muito bom ele ter ido para a Itália. O escada foi e voltou com moral e reclamou um pouco dos treinos. Para o crescimento foi muito importante, mas jogar com os melhores do mundo não o transformou como jogador." Fora das quadras, Escadinha quer continuar ajudando o bairro de Pirituba: "Tem muita gente que me pede todo tipo de coisas, e ajudo sempre que posso. Já conversei com o Ary Graça (presidente da CBV), e vamos levar o VivaVôlei (escolinha da modalidade) para o centro esportivo do bairro. Não adianta é fazer sem planejar, por isso que não digo quando vai ser." A vizinhança, aliás, é considerada o ?paraíso? para o líbero. "Todo mundo sabe que a minha vida foi sofrida. Mas sabe o que eu aprendi rodando o mundo todo? A dar valor ao que tenho aqui. Me divirto muito mais com a minha família e amigos em Pirituba. Se eu estivesse de férias e alguém me oferecesse uma viagem para qualquer lugar eu não aceitaria."

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