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Escalada de tensão com a China reacende pedido por boicote a Jogos Olímpicos de Pequim

Movimento teve início no ano passado, quando o ex-governador da Flórida e senador Rick Scott passou a pedir que o COI altere a sede dos jogos

Beatriz Bulla, correspondente/ Washington, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2020 | 08h00

A mais recente escalada de tensão entre Estados Unidos e China reacendeu o apelo de congressistas americanos para um boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 em Pequim. O movimento teve início no ano passado, quando o ex-governador da Flórida e senador Rick Scott passou a pedir que o Comitê Olímpico Internacional (COI) altere a sede dos jogos em razão da repressão contra uigures e outras minorias étnicas no país. 

Uma das principais vozes nos EUA a criticar a ideia dos jogos em Pequim, marcados para fevereiro de 2022, Scott retomou os apelos há uma semana. "A China comunista absolutamente não deve sediar as Olimpíadas de 2022. O COI deve rever imediatamente", escreveu em sua conta no Twitter há uma semana. Em um editorial no início de julho, o jornal Washington Post defendeu que é preciso questionar se a China deve sediar os jogos. "Por que a comunidade esportiva mundial deve honrar um país que cometeu genocídio?", questiona o editorial do jornal, ao falar sobre a imposição de esterilização forçada aos uigures e medidas para conter o avanço populacional do grupo.

EUA e China ensaiaram uma trégua diplomática no final do ano passado, com a assinatura de um acordo comercial pelos governos de Donald Trump e Xi Jinping, mas a pandemia de coronavírus promoveu uma erosão no diálogo entre as duas potências. As referências de especialistas a uma nova guerra fria ganharam corpo nos últimos meses, com uma série de medidas adotadas pelos dois lados que colocam em xeque a possibilidade de negociação em meio à guerra comercial, tecnológica e às acusações sobre desrespeito a direitos humanos. As medidas mais recentes foram a determinação pelos americanos do fechamento do consulado chinês em Houston, no Texas, com a respectiva retaliação de Pequim.

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A China comunista absolutamente não deve sediar as Olimpíadas de 2022. O COI deve rever imediatamente
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Rick Scott, ex-governador de Flórida e senador

O uso dos Jogos Olímpicos no campo da política internacional tem sido observado com preocupação pelo COI. A medida não seria uma novidade: Washington e aliados, como Japão, Alemanha e Canadá, boicotaram as Olimpíadas de 1980, em Moscou, em protesto à invasão soviética do Afeganistão.

O presidente do COI, Thomas Bach, afirmou na semana passada que "boicotes e discriminação são um perigo real", mas disse que eles apenas "punem os atletas" e privam o povo de compartilhar a alegria da equipe olímpica. "O exército soviético ficou mais nove anos no Afeganistão após o boicote", disse Bach.

A concordância com a pressão sobre o governo chinês a respeito do tratamento aos uigures é um raro consenso bipartidário na política americana atual. Em junho, o presidente Donald Trump ratificou a lei aprovada no Congresso com apoio de democratas e republicanos que impõe sanções às autoridades chinesas acusadas da prisão em massa de uigures muçulmanos no noroeste do país. 

A possibilidade de colocar os Jogos Olímpicos em discussão é defendida por parlamentares dos dois lados. Rick Scott escreveu uma carta a Bach, em outubro, pedindo que os jogos mudassem de lugar, na mesma época em que propôs uma resolução no Congresso americano com o mesma tema. Além do republicano, a deputada democrata Rashida Tlaib - uma das primeiras muçulmanas a ser eleita ao Congresso americano - já demonstrou apoio a uma campanha de boicote aos jogos.

"Receio que Pequim 2022 seja seriamente comprometida com o fato de que o Partido Comunista Chinês tem 1-2 milhões de pessoas em campos de prisão e tornaram Xinjiang em um estado policial de alta tecnologia. As comparações com as Olimpíadas Nazistas de 1936 são óbvias demais para ignorar", escreveu James A. Millward, professor da Georgetown University especializado em China. Há cerca de dez dias, o COI pediu desculpas por veicular imagens dos jogos de Berlim em um documentário sobre a história olímpica e anunciou a retirada das cenas, muitas das quais mostravam o Hitler e símbolos do nazismo. 

 

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